Páginas

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE. "Real Senhor ía passando... Encostado à bananeira, diz o preto para preta: está bonita a brincadeira."


1.- Estava eu 'posto em sossego' - aprestando o barquito da família para umas passeatas na Ria -, quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que 2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio do marfim eleitoral deste Distrito.
De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates - para um tonificante estágio 'à la minuta', junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.
Todavia, depressa desisti desse passeio para o sul - confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.
Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos - que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ía a escrever 'camaradas' - expressão regional caída em desuso, mas recuperável).

2.- Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustradamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a Direcção dos Serviços da Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para 'sub-regionais'; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação na região foi repartida entre o Porto e a dita Coimbra.

3.- Só nos faltava agora mais essa: sermos doravante representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital!
Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora - 'estrangeiros' para aqui impontados por Lisboa, como 'comissários políticos para zona subdesenvolvida' ou 'tutores de indígenas carecidos de enquadramento'.
Tinha que reagir - e reagi !

4.- Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora - para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua). Aliás, é esse um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento. É esta uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva; todavia - até por isso - nunca tolerámos que nos impontassem mentores!

5.- Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6.- Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do '25 de Abril', foi comunista radical - daqueles que (aos gritos de "nem mais um soldado para as colónias") impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia - com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).
Com sólida formação marxista-leninista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.
Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo - opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido 'fazer carreira' no PSD, como é evidente...
Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social-democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilberto Madail - que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece). Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática...

7.- Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas - à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia. Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um 'folheto de cordel' (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia - opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego - valha a verdade).
Digamos que tais escritos estão para o 'ensaio' como as quadras populares para o 'poema' - na forma e no conteúdo.
Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas - pingam apenas cinco ou seis ideias, que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo (?) que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8.- Certo é porém ter sido com essas 'quadras soltas' que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente - ganhando (por 'menção honrosa') a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do 'antieuropeísmo primário'.
Tenho-me esforçado por lhe estragar tal passeio - com algum êxito.

9.- Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (outro excurcionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram 'favas contadas'. Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses ('provincianos' como nos chamam) ficaríamos enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por 'lisboetas de tão alto gabarito' (a expressão não é minha, evidentemente).
Terão assim ficado surpreendidos pelo 'impedimento' que - logo após a 1ª anunciação - eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opôr firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contraír com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral - para usar linguagem de telenovela).
Como consequência imediata, eles - que tencionavam 'casar por procuração' (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) - tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.
Estraguei-lhes o arranjinho!

10.- O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.
Chegou de fato novo e ideias velhas.
E instalou-se num hotel da região - escolhido pela mãezinha (no Guia Michelin).
Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a 'cassete' - que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.
Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge a quem se acerca as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).
E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração - o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.
Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia - depois de já termos entrado (e... recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) ! Aliás, o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11.- Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento dos resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair - e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito 'adequado'.

12.- Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota - além dele e do Dr. Manuel Monteiro.
Aliás, o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta...
Não obstante, messias da restauração, reclama 'missionários' (sic) para o seu ridículo sebastianismo - sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13.- Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa: exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas - tornando-se injusto, maledicente e agressivo.
Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por 'chefes' cujos nomes a História registou - mal comparando...).

14.- Políticamente, o Portas é um 'bluff' - produto acabado de certos meios intelectualóides da Capital, que funcionam em circuito fechado: por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.
Entre muitos outros, fazem parte de tal 'entourage' o avinagrado Vasco Pulido Valente ('avinagrado' de vinagre - entenda-se) e sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá - ambos comungando os chorudos ordenados que "O Independente" (assim chamado) do Dr. Portas lhes paga, pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrevinham, no cómodo formato A4.
Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos - aquando era uma espécie de menino-prodígio da escrita fútil.
Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino; pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos - ainda que muito apreciados pelas pegas e pederastas do Intendente e pelo crítico Henrique Monteiro, que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15.- O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu milieu, é uso chamar 'as classes baixas' - como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr 'creme nívea' na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16.- O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.
Concretamente, oculta que é monárquico - opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República !
É a tal 'falta de transparência política' que critica - nos outros, claro...

17.- O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra '"um homem-um voto" - verdadeiro axioma da Democracia essencial.
Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício".

18.- Eleitoralmente, o Portas é desleal: vicia as regras do jogo. Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d' "O Independente" (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-de-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários - com a cumplicidade na batota do respectivo 'conselho editoral' !
Porque não sou 'queixinhas', não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento - junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas, junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.
Não vou sequer queixar-me à mãezinha do Dr. Paulo Portas. Tão-pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes - tido por 'dono do jornal' -, até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria 'candidatura a sanguessuga' (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.
Aliás, provavelmente não será especialista em 'deontologia profissional do jornalismo'.
Assim sendo, remeto a apreciação da chocante conduta do Dr. Portas e d' "O Independente" para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Principe e José Carlos de Vasconcelos - tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros). Concretamente, permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa fazer a apologia dos valores morais sociais) seja éticamente aceitável.

19.- De facto, não é fácil ser-se coerente e sério em política !

20.- Particularmente difícil é porém 'fazer carreira política' em Portugal - sobretudo quando não se dispõe do apoio de qualquer dos 'lobbies' que condicionam quase toda a nossa actual vida pública. Estou a referir-me à 'solidariedade corporativa' na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e - mais recentemente - os parceiros da comunidade 'gay'. Trata-se de organizações ou agregados que mantêm intervenção (directa ou indirecta) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva - também nos partidos políticos e na comunicação social.
Agindo concertada ou avulsamente,os membros de tais 'lobbies' têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direito e sobre a formação da opinião pública.
Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, 'heróis sociais' ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21.- Por definição, as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares - e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis.
Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do 'Público', pondera que esse jornal tem dono - e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectivos interesses (mesmo quando - agora instalado - escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da 'geração de 60') ?
E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise ou critica - injustamente lisonjeira - da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22.- A acção de todos ou alguns desses 'lobbies' perpassa de facto os principais partidos - transversalmente.
E, por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no 'Gambrinus' ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23.- Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso de político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e o firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro - sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou 'forças de pressão'. Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.
Estrêla de 3ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas - cometa ocasional, que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e... sem deixar rasto).
Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira - lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflecte a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.
24.- Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25.- Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero poder pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação - espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.
Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta 'zona demarcada entre o Douro e o Buçaco.

Carlos Candal.


Não poderia deixar de postar a minha homenagem a Carlos Candal por este magnífico manifesto contra uma das personagens que mais prejudicou este país, continua a prejudicar e que desconfio que muito candidamente é capaz de a médio prazo fazer uma coligação com uma "COISA".... Para quem se questiona sobre a verdadeira razão do assalto ao poder protagonizado por esse rabeta que é o Paulinho das bonecas, aqui fica uma achega:

Quando aqui há uns anos estalou o caso Moderna, o nosso Paulinho estava entalado até aos testículos.

A coisa estava preta! Vai daí, conseguiu pôr um pé no governo do então (não menos animalzinho desprezível) Durão Barroso, forçando a posse da pasta da Justiça.

Comandando esse ministério através do peão Celeste Cardona, o Paulo lá se safou de todas as investigações que o poderiam entalar.

A PJ sofreu grandes alterações, a Maria José Morgado foi afastada do que andava a fazer e tudo passou impune. Jogada de mestre, tem de se reconhecer.

Agora existe de novo matéria para meter o paulinho na gaiola.

O animalzinho não foi capaz de estar quieto e fartou-se de meter ao bolso (coisa estranha, uma vez que apregoava a moral e os bons costumes, fazendo passar-se como o Estadista que nunca foi, cheio de "pose" de Estado, mas o termo correcto não era pose, mas sim "POSSE" de Estado.... Um falso, portanto).

Apanhou-se no ministério da Defesa e viu que ali é que é à grande!

Com milhões e milhões para gerir à fartazana, cedo se esqueceu dos princípios que nunca teve.

Blindados ,helicópteros, SUBMARINOS, mísseis, navios patrulhões, etc, etc, etc...

É um rol de negócios em que ele meteu o bico.

Esqueceu-se que nem todos andam a dormir e agora teve e tem a Judite à perna.

Ele sabe.

Uns poucos sabem.

Pena que o país não saiba e ande a dormir.

Porque esta luta pelo poder, não é mais do que a tentativa desesperada para se manter à tona.

Pode ser que um dia chegue a justiça para ele.

Como no jogo da batalha naval "Submarino ao fundo..."

Mas ainda existe mais... O contrato de aquisição dos blindados Pandur, assinado no tempo de Paulo Portas, está a ser investigado pelo Ministério Público.

Fonte da procuradoria confirmou jornal "i" que no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) foi aberta uma averiguação preventiva ao concurso de aquisição de viaturas adjudicado em 2005 e ao respectivo contrato (que foi alterado já após a divulgação da vitória do grupo Steyr).

A averiguação ao concurso dos veículos Pandur surge cinco anos depois do alerta do Tribunal de Contas, numa altura em que o Estado lançou um ultimato à empresa.

O Ministério da Defesa ameaçou rescindir o contrato de aquisição dos Pandur se as viaturas em falta não forem entregues até ao fim do mês de Agosto. Segundo Santos Silva, a preocupação é com os interesses do Estado português, os interesses dos contribuintes, da Marinha e do Exército.
Diz fonte judicial, citada pelo mesmo jornal, diz que podem estar em causa crimes graves, como corrupção para acto ilícito. Caso contrário, o Ministério Público teria de considerar prescritos os eventuais crimes. (Diário Económico)


A história da Lusa A2, uma pistola-metralhadora compacta, de calibre 9x19 milímetros, concebida e desenvolvida pelas Indústrias Nacionais de Defesa de Portugal (INDEP) desde 1983, é um exemplo claro da forma como em Portugal se tem conseguido sucessivamente liquidar a indústria de Defesa.
Desenvolvida em Portugal, especialmente para membros de forças de segurança pessoal e de forças especiais, a arma nunca chegou à fase de produção em massa nas INDEP, “devido aos custos de produção”, apesar de se destinar, na altura, a substituir a pistola-metralhadora FBP, das Forças Armadas Portuguesas, que acabaram por adquirir armas estrangeiras, em compras directas...
Fontes conhecedoras do processo, contactadas pela TDSnews, revelam que, depois de mais de uma boa meia dúzia de anos de investigação, concepção e desenvolvimento e mais de 10 milhões de euros de investimento no projecto da Lusa A2, em 2004, quando Paulo Portas era ministro da Defesa, a INDEP vendeu a licença, estudos, protótipos e mesmo todas as máquinas-ferramentas, desenvolvidas entretanto para o fabrico da arma, a um grupo de empresários da indústria de armas norte-americanos por uns fantásticos... 50 mil dólares (uns míseros 40 mil euros!).


São muitos casos a cair sobre esta pessoa, ou ele é o Homem mais perseguido neste país desde D. Afonso Henriques ou então.... É Paulo Portas mesmo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Julian Assange é Português... Mas este não sera acusado de violação...


Será que o Paulinho também fazer um site para publicar os documentos?
Paulo Portas mandou copiar 61893 papéis do Ministério da Defesa, apenas uma semana antes das eleições gerais que o afastaram do poder, em 2005. Segundo o Expresso, o ex-ministro teria, por entre as largas resmas de papelada, documentos classificados de "Confidenciais".
Bora lá Paulinho, vamos a publicar isso, está descansado que a ti nenhuma mulher te acusa de violação!!!!

Esta notícia foi na altura avançada pelo Semanário Expresso na altura e dava conta que Paulo Portas, ex-ministro da Defesa, na última semana antes das eleições gerais (2005), terá mandado fotocopiar e digitalizar milhares de documentos. Acontece que segundo o Expresso, o ex-ministro teria por entre as largas resmas de papelada, documentos classificados de "Confidenciais". Dossiers marcados com as expressões "Iraque", "Submarinos", "ONU", "NATO", ou seja, documentos de Estado que nunca deveriam sair do seu gabinete.
Paulo Portas disse que se tratavam de "notas pessoais", que terá escrito entre a liderança do Partido Popular e tutela da pasta da Defesa. Ora, 61893 documentos dá uma média impressionante de 24 páginas escritas por dia. E atenção! Serão 24 páginas/dia com fins-de-semana e férias na contagem porque caso nos fiquemos por dias úteis a média sobe muito mais.
Se as notas eram dele, para quê fotocopiar quando as podia trazer num caixote quando esvaziasse o gabinete?
O Estado tinha a obrigação de investigar a fundo o que foi fotocopiado e digitalizado, será que ele andou pelos arquivos do Ministério a apanhar lenha para queimar terceiros e agora como está na moda vai publicar? Será que nas fotocópias não estará lá por o contrato da compra dos submarinos que a justiça anda á procura há 5 anos e não consegue encontrar? E afinal! Quem é que pagou as fotocópias?

A ladroagem...



Na realidade, nós temos o que merecemos. A corrupção tem um paraíso em Portugal porque, persistimos em em apoiar candidatos que há muito perderam toda a idoneidade e respeito pelos portugueses. O apoio dos portugueses a líderes sem qualquer credibilidade tem sido tal, que os nomes envolvidos, sempre os mesmos, têm criado uma elite de intocáveis e poderosos na sociedade portuguesa, seja ela a nível de governo, a nível de justiça, no âmbito bancário, empresarial, públicas e privadas e mesmo no futebol. Esta elite aos poucos poderá tornar-se numa máfia incontrolável, que tal como em muitos outros países onde a corrupção existe em larga escala, esta a tornar-se sangrenta.

Escrevo este texto hoje, porque tal e qual como a maioria dos portugueses, sinto-me cada vez mais triste e revoltado. Revoltado por um governo eleito para governar o país, mas que no final governam apenas meia dúzia de empresas de elite e também as suas próprias vidas e dos familiares e amigos que os rodeiam. Revoltado por um sistema de justiça que custa milhões de euros a todos os cidadãos e que devido a todo o tipo de habilidades técnicas, e leis criadas para protecção de criminosos VIPs, podem-se contar pelos dedos o número de casos condenados e em que a sentença foi aplicada e cumprida com rigor. Revoltado por um sistema de educação cada vez mais enfraquecido. Revoltado pela diferença cada vez maior entre ricos e pobres. Revoltado em termos gerais, sobre tudo que afecta os portugueses, particularmente as classes mais desprotegidas.


Os portugueses toleram bem o tráfico de influências e vêem nele a única forma de ultrapassar um Estado lento e desatento aos seus direitos e necessidades. Um inquérito realizado à população portuguesa revela que as “cunhas” e os pedidos para “mexer cordelinhos” fazem parte do modo de vida dos portugueses, cuja maioria defende a criação de uma agência anti-corrupção, com altos poderes de investigação.
Os portugueses tendem a considerar “actos corruptos” aqueles que “mais se aproximam da definição penal“, deixando, assim, de fora uma série de outros comportamentos tipo “cunhas“, “favorecimentos“, ou “patrocinato político“.


Em relação a esses comportamentos revelam-se permissivos e até favoráveis, sempre que os mesmos tenham por objectivo uma causa justa ou o interesse colectivo (o “orçamento limiano”, por exemplo). É o que os autores chamam de “corrupção ao estilo Robin Hood“, própria de “uma cultura cívica ainda muito assente na satisfação das necessidades básicas“.
Nas zonas onde existe um maior grau de iliteracia (interior ou grandes zonas suburbanas), a tolerância à corrupção é maior, mas de um modo geral, conforme constatam os autores, este trabalho confirma que Portugal é um País propenso a um tipo de corrupção que não assenta necessariamente no suborno e na troca directa dinheiro/decisões, mas que é construída socialmente ao longo do tempo, através da troca de favores, de simpatia, de prendas e hospitalidade“.
O “País da cunha” e do “mexer de cordelinhos“, perante “um aparelho de Estado lento e insensível aos problemas dos cidadãos, de difícil acesso.


Portugueses não denunciam corrupção ao mesmo tempo que revelam tolerância em relação à cunha, ao favorecimento ou ao patrocinato político, os portugueses afirmam ter mão pesada na punição dos actos corruptos.
Porém, se a maioria garante que denunciaria crimes de corrupção de que tivesse conhecimento, “na realidade, os portugueses recolhem-se ao silêncio e à indiferença“. As queixas de cidadãos junto das autoridades são praticamente nulas.
Quando confrontados com a pergunta sobre que medidas adoptar para combater a corrupção, 11% dizem não saber e 42,3% defendem a criação de uma agência anti-corrupção, com amplos poderes de investigação.

Por isso e dando um exemplo agora mais concreto passo a citar o problema dos salários de gestores de empreas públicas, os seus salários chorudos em comparação aos salários e pensões miseráveis que muitos Portugueses auferem.

Presidência do Conselho de Ministros e Ministério das Finanças
Decreto-Lei n.º 446/74
de 13 de Setembro

A Lei n.º 2105, de 6 de Junho de 1960, procurou limitar as condições de remuneração dos membros dos corpos gerentes dos estabelecimentos do Estado e das sociedades ou empresas que, por várias formas indicadas na lei, se encontravam ligadas ao sector público.
A ambiguidade da redacção da lei permitiu, no entanto, interpretações abusivas, que tornaram possível que os administradores das empresas abrangidas auferissem elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma. Com efeito, enquanto no corpo do artigo 1.º da referida lei se limitavam as remunerações dos membros dos corpos gerentes ao vencimento atribuído aos Ministros do Estado, o § 1.º do mesmo artigo acrescentava que lhes era permitido «receber ainda importâncias até ao limite estabelecido neste artigo [...], se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros». A inclusão da palavra «ainda» conduziu à interpretação de que esta participação se somava à remuneração cujo limite era fixado no corpo do artigo, o que obviamente permitiu na prática duplicar esse mesmo limite.
Considerando que compete ao Governo Provisório lançar os fundamentos de uma nova política económica, que exige medidas de austeridade que moderem os altos rendimentos, torna-se necessário acabar com tais práticas e reduzir efectivamente as remunerações em causa.
Por outro lado, sendo também uma das coordenadas da política do Governo Provisório a adopção de uma «estratégia antimonopolista», nomeadamente no combate à situação inflacionista actualmente existente, não pode o sector público prescindir de participações ou intervenções em empresas que têm de ser eficazes e competitivas, em virtude do seu relevante papel no funcionamento de serviços essenciais de infra-estrutura, na dinamização da concorrência, no contrôle do poder económico. Isto implica, por sua vez, que se tem de admitir que nessas empresas se paguem remunerações que não levem o pessoal mais qualificado, qualquer que seja a sua categoria ou profissão, a afastar-se para o sector privado.
O Governo não pode deixar de atender aos condicionalismos da situação que acaba de ser apontada. Todavia, na fase que o País presentemente atravessa, tornam-se imprescindíveis medidas significativas de austeridade e de realização da justiça social. Daí que, pelo presente diploma, se reduzam as remunerações efectivas dos membros dos corpos sociais das empresas nele abrangidas, no prosseguimento da orientação já concretizada através da limitação recentemente decretada de pensões de aposentação demasiado elevadas. Além disso, os referidos membros dos corpos sociais passarão a pagar impostos, em virtude da disposição introduzida pelo recente diploma sobre o sistema fiscal que proíbe as empresas de o fazer. Ao mesmo tempo, impõem-se também regras mais estritas sobre o regime de acumulações e de prestação de serviço às empresas em causa ou a outras a elas ligadas.
As medidas agora promulgadas deverão ser completadas pela revisão geral do estatuto dos administradores por parte do Estado e dos delegados do Governo, que se encontra em estudo e irá introduzir novas condições e garantias para o exercício dessas funções.
Nestes termos:
Usando da faculdade conferida pelo n.º 1, 3.º, do artigo 16.º da Lei Constitucional n.º 3/74, de 14 de Maio, o Governo Provisório decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1.º - 1. Não podem perceber remuneração, ilíquida de impostos, superior a vez e meia a atribuída aos Secretários de Estado os membros dos corpos gerentes ou dos conselhos fiscais e, bem assim, os delegados do Governo dos estabelecimentos do Estado, das empresas públicas e das sociedades, ou empresas:

a) Concessionárias ou arrendatárias de serviços públicos ou de bens de domínio público;
b) Em que o Estado tenha participação nos lucros ou seja accionista, desde que tais posições estejam previstas em diploma legal, em contrato ou nos respectivos estatutos;
c) Em que, independentemente do condicionalismo referido na alínea anterior, o Estado participe directa ou indirectamente com, pelo menos, 10% do capital social;
d) Que explorem actividades em regime de exclusivo ou com benefício ou privilégio mais favoráveis do que os previstos em lei geral;
e) Quando o Estado, por virtude de financiamentos feitos ou por ele garantidos, para elas deva nomear, ou nomeie, delegados ou administradores - quer se revistam da forma de administração, direcção, comissão executiva, fiscalização ou qualquer outra.

2. O disposto no n.º 1 é também aplicável a todos os empregados das empresas ou entidades aí referidas.

Art. 2.º - 1. Considera-se para o efeito do presente diploma:

a) Como remuneração dos Secretários de Estado não só o seu vencimento como o abono para despesas de representação, certa e permanente;
b) Como remuneração dos membros dos corpos gerentes e do restante pessoal não só todas as retribuições fixas, seja qual for a sua natureza e designação, mas também a eventual participação nos lucros; as gratificações, qualquer que seja a sua espécie e o título a que são atribuídas, e as importâncias atribuídas para ajudas de custo, na parte em que excedam as atribuídas aos Secretários de Estado.

2. É vedado a todas as empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º pagar encargos ou despesas pessoais dos membros dos seus corpos sociais ou do pessoal que não resultem directa e exclusivamente do exercício da respectiva actividade nas mesmas empresas.
3. As despesas de representação, as ajudas de custo e outras despesas de natureza semelhante pagas pelas empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º aos membros dos seus corpos sociais ou empregados, que resultem directa e exclusivamente do exercício da respectiva actividade ao serviço de tais empresas, devem ser objecto de registo discriminado na contabilidade das mesmas empresas.
4. São nulos os contratos de prestação de serviço celebrados entre os indivíduos referidos no número anterior e as empresas ou entidades referidas nos artigos 1.º e 4.º.

Art. 3.º As remunerações dos corpos sociais das empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º ficam sujeitas a homologação pelos Ministros responsáveis pelo sector de actividade a que as mesmas pertencem.

Art. 4.º Consideram-se igualmente submetidas ao regime estabelecido no presente diploma as sociedades, companhias ou empresas:

a) Que beneficiem de qualquer concessão, exclusivo ou privilégio obtidos de empresas abrangidas pelo artigo 1.º;
b) Em que estas sejam sócias ou accionistas com, pelo menos, 25% do capital social.

Art. 5.º - 1. A remuneração correspondente ao exercício por qualquer das empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º de cargos em corpos sociais de outra empresa constitui obrigatoriamente receita da empresa representada.
2. À pessoa ou pessoas que, nos casos abrangidos neste artigo, exercerem a representação da empresa designada para os corpos sociais, desde que façam parte dos corpos desta, não pode ser abonada seja que quantia for a título de tal representação.

Art. 6.º - 1. Os membros dos conselhos de administração, ou órgãos de gerência equivalentes, das empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º só poderão exercer os seus cargos em acumulação com outras actividades profissionais mediante despacho ministerial de autorização.
2. Nos casos de estabelecimentos do Estado ou empresas públicas, o despacho referido no número anterior é da competência do Ministro de que dependam esses estabelecimentos ou empresas.
3. Nos casos de sociedades, companhias ou empresas concessionárias ou arrendatárias de serviços públicos ou de bens do domínio público, ou que explorem actividades em regime de exclusivo ou com benefício ou privilégio não fixados em lei geral e, bem assim, nos de sociedades, companhias ou empresas que daquelas tenham obtido qualquer concessão, exclusivo ou privilégio, o despacho referido no n.º 1 deste artigo é da competência do Ministro de quem dependam a concessão, o arrendamento, o regime de exclusivo, o benefício ou o privilégio de que se trate.
4. Nos casos das demais sociedades, companhias ou empresas abrangidas pelos artigos 1.º e 4.º deste diploma e não compreendidas nos dois números anteriores, o despacho referido no n.º 1 deste artigo é da competência do Ministro das Finanças.
5. No prazo de dois meses a contar da entrada em vigor do presente diploma, na falta da autorização ministerial referida nos números anteriores, consideram-se terminadas as funções exercidas em regime de acumulação na empresa ou entidade em que mais recentemente tenham sido assumidas tais funções.

Art. 7.º Nas remunerações pagas pelas empresas referidas nos artigos 1.º e 4.º aos administradores por parte do Estado ou outros membros dos corpos gerentes designados pelo Estado ou por entidades delas dependentes que exerçam os seus cargos em regime de acumulação com outras actividades profissionais remuneradas serão deduzidas, até ao limite do artigo 1.º, as importâncias que auferirem nestas actividades.

Art. 8.º - 1. As empresas ou entidades a que se referem os artigos 1.º e 4.º deverão publicar na mesma data em que publicarem os seus relatórios e contas relações em que se discriminem, em referência ao ano anterior:

a) As remunerações pagas individualmente aos membros dos corpos sociais;
b) As remunerações anuais médias por pessoa pagas às várias categorias de trabalhadores que no ano anterior tenham trabalhado pelo menos seis meses para a empresa ou entidade de que se trate;
c) As remunerações superiores a 150 contos pagas individualmente a consultores e outros indivíduos não abrangidos pelas alíneas anteriores, que a qualquer título tenham trabalhado para a empresa ou entidade respectiva;
d) O total dos dividendos ou lucros distribuídos;
e) O total de quaisquer outras prestações pagas aos sócios, a título de remuneração do capital, de suprimentos ou de empréstimos.

2. Os elementos a que se refere o número anterior não terão de ser publicados no Diário do Governo nem na imprensa diária, mas deverão ser fornecidos, sempre que solicitados, a membros do Governo, serviços do Estado, sócios ou accionistas e associações sindicais ou comissões representativas dos trabalhadores da empresa de que se trate.

Art. 9.º Todos aqueles que hajam exercido as funções de Ministro, Secretário, Subsecretário de Estado, Governador das províncias ultramarinas ou dirigente de organismos de coordenação económica não poderão, durante os três anos posteriores à exoneração do cargo, exercer quaisquer funções administrativas, executivas, directivas, consultivas ou fiscais, por escolha da empresa ou eleição, nas sociedades, companhias ou empresas abrangidas por esta lei, sempre que estas sejam ou tenham sido dependentes dos respectivos Ministérios, governos ultramarinos ou organismos de coordenação económica, ou sujeitas à fiscalização dos mesmos.
§ único. A idêntica incompatibilidade ficam submetidos os funcionários públicos compreendidos nos grupos de A a F referidos no n.º 1 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 372/74, de 20 de Agosto, e dos organismos de coordenação económica equiparáveis.

Art. 10.º - 1. A fiscalização do disposto neste diploma incumbe, de um modo especial, aos delegados do Governo e à Inspecção-Geral de Finanças.
2. Em vista de tal fiscalização, os membros dos corpos sociais e os delegados do Governo abrangidos pelo presente diploma enviarão até 15 de Abril de cada ano, à Inspecção-Geral de Finanças, nota discriminada de todas as remunerações recebidas no ano anterior das respectivas empresas.

Art. 11.º - 1. A infracção do disposto neste diploma, além de implicar a perda de mandato para os infractores e de os inibir de, durante o prazo de cinco anos, exercer funções de membros de corpos gerentes em quaisquer sociedades, companhias ou empresas, é punível com multa de duas a cinco vezes o montante das importâncias por eles indevidamente recebidas.
2. A aplicação das penalidades previstas no número anterior cabe aos tribunais comuns.
3. A aplicação das respectivas multas prescreverá ao fim de cinco anos a partir do cometimento da infracção.

Art. 12.º São nulos todos os actos e negócios jurídicos dos quais resulte, directa ou indirectamente, a violação do preceituado neste diploma ou a fuga ao que nele se determina, designadamente os que envolvam interposição de pessoas.

Art. 13.º A aplicação imediata do presente diploma às empresas públicas ou sociedades por ele abrangidas não é prejudicada pela circunstância de, à data da sua promulgação, terem leis orgânicas ou estatutos homologados pelo Governo ou contratos celebrados com o Estado donde resulte possibilidade de se verificarem situações em desconformidade com o que nele se dispõe.

Art. 14.º É revogada a Lei n.º 2105, de 6 de Junho de 1960.

Art. 15.º O presente diploma entra imediatamente em vigor.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros. - Vasco dos Santos Gonçalves - José da Silva Lopes - Emílio Rui da Veiga Peixoto Vilar.
Promulgado em 9 de Setembro de 1974.
Publique-se.
O Presidente da República, ANTÓNIO DE SPÍNOLA.


Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a Lei 2105? Dizia queningué m que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros". A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado. O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma". Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do fascismo (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420000 euros por mês, um "pouco" mais que Zeinal Bava, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa. Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice- Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto vence pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana. Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal. Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos pelo fascista Oliveira Salazar. Que tristeza ter que dizer isto

domingo, 30 de janeiro de 2011

Dias em Cabo-verde à sombra do Loureiro e a tocar Cavaquinho....











Não resisto.... Dias Loureiro para mim é um fetiche para mim este "senhor", uma pérola do nosso Portugal....

Tem um processo em curso de investigação
- Negou coisas que o seu chefe disse
- Esteve muito ligado ao PSD
- Sabe fazer umas cantarolas
- Também sabe jogar golfe
- Desde há uns meses nunca mais se ouviu falar dele
- A viver actualmente à grande e à fartazana em Cabo Verde.
- É o dono do maior Resort Turístico da Ilha do Sal... É aquela ilha, daquele país africano, onde o BPN criou umas "sucursais" e um banco mais ou menos virtual, com que se faziam umas operações de lavagem e fugas ao fisco.

• PS: Há imenso tempo, que ninguém mais falou no nome do menino: nas notícias é referido só o nome de Oliveira Costa "e outros arguidos"... sem nomear... (Dias Loureiro)

O que nos leva a pensar de tal "esquecimento"?

É fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 4 mil milhões de euros, quando se tem amigos... nos sítios certos....
Até em Belém!

A relaixadeza neste cantinho à beira-mar, continua a fazer duns tantos e tais Senhores Doutores, Engenheiros, Arquitectoss, Professores, etc... etc, uns relaxados de luxo…

Quando se descobriu uma porta secreta no seu wc, ele desvalorizou a descoberta e diz tratar-se apenas de "uma parte esconsa do escritório". A porta em causa tem acesso apenas através da casa-de-banho.

Os documentos que foram encontrados dizem respeito, segundo a edição do Jornal Sol, a negócios do BPN em Porto Rico e Marrocos, e "serão relevantes para comprovar os crimes pelos quais Dias Loureiro foi constituído arguido pelo Ministério Público", escreve o jornal.
Continuam a meter-nos o dedo no tal buraquinho, que por sinal, só cheira mal para alguns!!!


Depois de ter sido constituído arguido por fraude fiscal, burla e lavagem de dinheiro, o Ministério Público acusa-o agora de corrupção, por ter recebido comissões no âmbito da venda de uma empresa de José Roquette.

A investigação do caso BPN resultou na abertura de mais um processo ao ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro. Depois de ter sido constituído arguido por fraude fiscal, burla e lavagem de dinheiro, o Ministério Público acusa-o agora de corrupção, por ter recebido comissões no âmbito da venda de uma empresa de José Roquette.

Depois de algumas acusações o Ministério Público abriu um novo processo contra MDias Loureiro, ex-administrador do Grupo SLN, no âmbito da investigação do caso BPN. Dias Loureiro é acusado de recebimento de “luvas” na venda da Plêiade à SLN.

O inquérito em curso acrescenta-se assim a um outro em que Dias Loureiro foi constituído arguido, relativo à compra e venda da empresa porto-riquenha Biometrics, em que é acusado de fraude fiscal, burla agravada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. O crime de corrupção acrescenta-se agora à lista extensa.

Segundo adiantou Diário Económico, o ex-conselheiro de Estado é suspeito de receber comissões no início da década na sequência da venda da empresa de José Roquette. Dias Loureiro diz ter tido uma participação nessa empresa (de 15%). O negócio da venda da Plêiade à SLN por 55 milhões de euros terá rendido ao ex-conselheiro de Estado 8,2 milhões de euros. “Era a minha parte no negócio”, disse Dias Loureiro à RTP numa entrevista. Mas o Ministério Público não aceita essa justificação para os dinheiros recebidos pelo ex-administrador do grupo SLN/BPN e suspeita que Loureiro nunca foi accionista.

A Plêiade é um grupo dedicado a infraestruturas e energia (com investimentos no Norte de África) que estava nas mãos do empresário José Roquette. O Diário Económico revela que, segundo testemunhos dados ao Ministério Público, havia sido prometido a Dias Loureiro um lugar na empresa quando saísse do Governo, o que acabou por acontecer em 1995. Em 2000 a Plêiade é vendida ao grupo SLN. Dias Loureiro diz ter vendido as acções da SLN em 2003, mantendo-se como administrador não executivo até 2005.

Uma fonte judicial citada pelo Diário Económico revelou que as provas das ilegalidades “estão na posse do Ministério Público, após a documentação apreendida durante as buscas realizadas a Dias Loureiro.

Ainda acrescento que o mágico David Dias Copperfield Loureiro, ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios, entre 2000 e 2003, altura em que se tornou accionista do grupo que controlava o BPN, e o outro diz respeito ao empresário Ricardo Oliveira (também acusado neste processo) e a Arlindo de Carvalho, ex-ministro da Saúde.

Nas investigações relativas a Dias Loureiro, está em causa o negócio ruinoso de Porto Rico, em que interveio, por parte da SLN e negócios em Marrocos.

O que se pretende apurar é se os intervenientes nas operações retiraram benefícios pessoais das mesmas prejudicando o grupo BPN/SLN. Em investigação estão indícios de crimes de fraude fiscal, infidelidade e branqueamento de capitais.


Agora entra em cena o amigo Santo, o Cavaco que é um grande amigo e Presidente da Républica que fornece a cobertura para a nacionalização do banco pelo Estado Português, com o aval público do Sr. Presidente.
No entretanto, descobrem-se incontáveis fraudes a milhares de clientes que, confiando que estavam a contratar depósitos bancários, encontram todas as suas economias investidas em capitais de risco e fundos de obrigações absolutamente descapitalizados.

Cavaco Silva é o homem que gosta de relembrar-nos as suas origens humildes, filho de camponeses.
Relembro o leitor que Cavaco Silva é o mesmo homem que não perde uma oportunidade de relembrar o comum mortal da dignidade do valor do trabalho honesto e suado, e que inclusive, num dos seus debates recentes, este foi o mesmo homem que exaltou as donas de casa pela importância social do seu trabalho de entrega total ao lar e à família. Este é o Cavaco pio, o Cavaco das canduras.

É o Cavaco das opacidades e dos comunicados, comprometido com mais de 300.000 euros de mais-valias que arrecadou, numa venda de acções contratualizadas com a SLN, num contrato à lá carte, promovido por homens próximos de Cavaco Silva, Dias Loureiro e o presidente do banco, Oliveira e Costa, ex-secretário dos assuntos fiscais de Cavaco Silva, ou seja, com os mesmos homens que vão responder perante a Justiça por crimes cometidos na anterior gestão do banco.


Foi um contrato de contornos pouco claros e que deram a Cavaco Silva e à sua filha um lucro de 147,5 mil euros e de 209,4 mil euros, respetivamente. Cavaco Silva vendeu 105.378 ações da SLN, que comprara a um euro cada, em 2001, por 2,4 euros, no final de 2003. O mais importante: esta inexplicável valorização foi determinada por contrato, já que a sociedade não estava cotada na bolsa. É esse contrato, elaborado por uma administração composta por pessoas que lhe são próximas (uma delas até foi, depois disto, nomeada por ele para o Conselho de Estado) que ainda não foi cabalmente explicado.
Ademais: ainda não apareceu mais ninguém - que não esteja a contas com a Justiça - a vangloriar-se de semelhante (e espectacular) capacidade negocial. Falamos da venda de acções que, no espaço de dois anos, valorizaram-se exponencialmente, tendo sido determinada, ab initio, a valorização mínima das mesmas, caucionada por garantias reais dadas pela SLN.
Portanto, estamos perante um curioso contrato, atípico, em que não há qualquer repartição do risco entre as partes mas, tão-só, a sua exclusiva assunção por parte da entidade financiada.


Outro pormenor: sendo a SLN principal accionista do Banco BPN, quem é que acredita que a sociedade-mãe, a SLN, proprietária do banco, necessitaria do financiamento de um professor de finanças?! Precisaria a SLN de uns urgentes 100.000 euros, com a contrapartida de uma valorização de 140%, financiados por um investidor de capital, um particular, antigo Primeiro-Ministro de Governos constituídos por membros da administação do BPN/SLN, os mesmos que negociaram/agenciaram mais um contrato ruinoso para aquela instuição e muito proveitoso para o clã Silva?!
Como é evidente, a resposta é uma dupla negativa.

Está, portanto, por explicar o real fito de tal negócio. Das três, uma: ou o referido contrato foi uma manobra de descapitalização da SLN; ou uma doação ilegal e encapotada feita pela administração da empresa a um seu accionista (adquirindo acções por um preço muito superior ao seu valor de mercado e em condições excepcionais); ou uma singela fraude ao património societário da SLN que contou com a prestimosa colaboração presidencial.

As outras questões que aguardam respostas é saber quem negociou o contrato e quem foi o comprador das ditas acções. É que se o contrato foi negociado com os então administradores da SLN/BPN, e agindo estes como compradores das acções, tal configura um vício negocial na medida em que os administradores das empresas não podem celebrar negócios com a própria empresa que administram.

Ser accionista significa, em linguagem corrente, ser-se proprietário de uma sociedade comercial, em que a rendibilidade do capital é traduzida, ordinariamente, pela distribuição de lucros (os dividendos), ou pela sua simples alienação (especulação pura).
O que Cavaco fez foi adquirir acções do banco e, decorridos 2 anos, aliená-las, obtendo uma mais-valia fabulosa, que em muito superou aquilo que era comum e corrente no mercado de capitais de então, bolsista ou não.
Outra questão: Cavaco disse ter celebrado semelhantes contratos com outros bancos. Nesses outros contratos, obteve semelhante valorização das suas acções? Não.

Daí que urge saber mais informação sobre este negócio.
Até por que, na qualidade de accionista da SLN, Cavaco Silva poderia ter usado do poder de fiscalização da contabilidade da sociedade-mãe, e não o fez.
Mais: a crer na boa-fé de Cavaco, na qualidade de economista, ele sabe bem que não há almoços grátis pelo que devia ter duvidado da valorização extraordinária contratualmente estabelecida. E não o fez. De facto, Cavaco conhecia ou não podia ignorar, alegando desconhecimento, do fim último do negócio: o seu exclusivo benefício pessoal, ditado por considerações extra-negociais e à revelia do que era comum neste tipo de operações ao tempo e no mercado em que estas tinham lugar.
Pois ali está um homem com o calo da vida, e um profundo conhecimento das matérias que contratualiza, a arrecadar 300.000 euros sem qualquer trabalho suado, apenas possíveis graças a uma simples agenda de bons contactos! É um homem de sorte o nosso presidente...



O BPN faliu por causa de muitos negócios ruinosos do banco e da SLN. A negociata milionária do clã Cavaco com a SLN/BPN foi um deles.

Mas Cavaco Silva tem feito mais pelos seus amigos do BPN: defendeu o amigo Dias Loureiro, pessoalmente escolhido por Cavaco Silva para integrar o Conselho de Estado, sob o manto da protecção presidencial, conferida pelo estatuto de imunidade de conselheiro de Estado.
Mais: nos últimos dias, Cavaco tem atacado a actual equipa de gestão do BPN, tendo dito não compreender por que ainda aquela não recuperou o banco "quando em Inglaterra, Bancos com situações muito piores, já recuperaram"...
Se a falsa ingenuidade fosse crimonosa, Cavaco seria um genocida.
A diferença fundamental entre a Banca inlgesa e o BPN é que a primeira ficou em dificuldades por via da grave crise internacional. O caso BPN é quase um inverosímel caso de escola de Direito Penal, em que os dirigentes do Banco pilharam os próprios clientes.
A transparência e a "compliance" são os maiores valores públicos de credibilidade das instituições que lidam com dinheiro alheio. Fraudes e furtos provocam consequências irreparáveis que nenhuma administração, por mais profissional que seja, conseguirá restaurar.
Este é o monstro invencível: o BPN já não tem, nem terá, qualquer credibilidade pública enquanto instituição financeira e, como tal, está para além de qualquer recuperação.
É como colocar um Ronaldo nú num convento de noviças.
E Cavaco Silva bem sabe que o BPN é um banco irrecuperável. Já o sabia quando publicamente defendeu a nacionalização do banco.
Os efeitos deste ataque presidencial à actual administração do banco não se fizeram esperar: desde que Cavaco proferiu a sua crítica, o BPN já perdeu mais de 200 milhões de euros em depósitos bancários, que dali migraram.

Só posso interpretar este seu ataque à actual administração do banco e o seu silêncio cúmplice perante a anterior administração, que tantos milhares de euros lhe deu a ganhar, como um sintoma de comprometimento pessoal.O homem, que nunca gosta de imiscuir-se no jogo político-partidário, não pensou duas vezes em atacar a actual administração do banco e não teve, até agora, um única palavra de conforto para com os milhares de clientes do banco, que vivem dias de angústia, perante o desaparecimento das suas enconomias.
Tem preferido proteger a anterior administração, assumindo-se como um seu porta-voz, criticando a actual por um trabalho absolutamente impossível.

É que nunhum dos clientes, a quem o dinheiro foi rapinado, gozou do privilégio que gozou Cavaco Silva: a contratualização da valorização de acções, negociadas com elementos da administração que lhe eram pessoal e politicamente muito próximos, ao ponto de Oliveira e Costa ter sido um dos financiadores da campanha presidencial de Cavaco Silva em 2005.
Cavaco obteve um tratamento de favor e agora não quer responder, publicamente, por isso. Tal como os Somoza ou o Xá do Irão.

Pois eu relembro o leitor: enquanto milhares de cidadãos anónimos ficaram sem o seu dinheiro, o clã Cavaco ensacou milhares de euros.

E agora, perante a implosão do banco às mãos daquele que tanto deu a ganhar - sem qualquer risco ou esforço - ao clã Silva, eis que o "homem mais honesto de Portugal" indigna-se e insulta aqueles que, como eu, exigem-lhe cabais explicações orais (e não umas tretas redigidas pelos assessores).
Se isto é uma "campanha suja", então eu estou imundo.

Aliás, este é o problema de Cavaco Silva: não pensou duas vezes em colaborar com a PIDE, auto-proclamdo-se um fiel seguidor da política do regime do Estado Novo para ser um revisor/tradutor de documentos da NATO, bem como não vê qualquer problema em, numa pura atitude de chico-esperto, ter contratado - em condições extremamente favoráveis e inauditas, apenas possíveis pela sua proximidade poítica com a administração do BPN/SLN - um negócio ruinoso para a SLN, proprietária do BPN, promovendo um pouco mais o desnorte de um resgate que já custou 4500 milhões de euros aos contribuintes.

O homem diz ser sério e valente. Mas eu apenas vejo um homem comum, com uma moral comum. Para Cavaco, não vem mal ao mundo temer a PIDE, nem escudar-se na legalidade, tantas vezes tão duvidosa como imoral, para justificar a obtenção de mais 300.000 euros para o clã Silva.
Mas isto é medir um candidato presidencial pela mesma bitola do homem comum, o que por estes dias não é nada auspicioso.
Discordo. Eu acho que um Presidente da República deve ser uma pessoa excepcional. Por isso, prefiro alguém que tivesse mandado o emprego na Nato às malvas a ter de admitir um elogio ao Estado-Novo e um homem remediado, mas independente, com o seu salário de professor de economia (muito confortável) a um chico-espertismo de comum ladrão.



Deixo aqui ainda a lista das acusações pela qual e para memória futura já foram acusados alguns desta história de ladroagem:


As acusações:


- José Oliveira Costa, ex-presidente do banco, foi acusado da prática de sete crimes: abuso de confiança, por retirada e apropriação, para si e para terceiros, de fundos do grupo BPN/SLN; burla qualificada, por ter induzido em erro as entidades que lhe competia administrar, directa ou indirectamente; falsificação de documento, ao forjar documentos e o registo de movimentos bancários e contabilísticos; infidelidade, ao ter violado das normas de gestão, com a consequente lesão dos interesses patrimoniais das entidades administradas; branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e aquisição ilícita de acções.

- José Vaz de Mascarenhas, ex-presidente do Banco Insular, foi acusado dos crimes de abuso de confiança, burla qualificada e falsificação de documento.

- Luís Caprichoso e Francisco Sanches, ex-administradores do BPN, foram acusados dos crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documento, infidelidade e aquisição ilícita de acções.

Leonel Mateus e Luís Reis Almeida, ex-administradores da Planfin, foram acusados de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documento e infidelidade.

- Telmo Reis, sócio da Labicer, empresa cerâmica de Aveiro, foi acusado dos crimes de abuso de confiança, burla qualificada e fraude fiscal qualificada.

- José Monteverde, ex-sócio de uma empresa que estava ligada à SLN, foi acusado de abuso de confiança e sobre a forma de cumplicidade e crime de burla qualificada.

- O empresário Ricardo Oliveira é acusado dos crimes de burla qualificada e falsificação de documento.

- Luís Ferreira Alves, ex-responsável da Labicer, é acusado do crime de fraude fiscal qualificada.

- Isabel Cardoso, ex-administradora da Planfin, é acusada de ter cometido sob a forma de cumplicidade, os crimes de abuso de confiança, burla qualificada, e enquanto autora material falsificação de documento.

- Também considerada cúmplice, Isabel Ferreira, ex-colaboradora da Planfin, é acusada de dos crimes de abuso de confiança, falsificação de documento.

- Como cúmplice surge também Filipe Baião do Nascimento, advogado, é acusado de crime de burla qualificada e de abuso de confiança e, como autor material, de fraude fiscal qualificada.

- António Franco, ex-administrador do BPN e ex-director de Operações do banco, é acusado, sob a forma de cumplicidade, dos crimes de burla qualificada, falsificação de documento.

- Os accionistas da SLN Fernando Cordeiro, Almiro Silva, António Cavaco, Manuel Cavaco, Rui Fonseca e Manuel António Sousa foram acusados na prática de crime de burla qualificada.

- Manuel Silva Santos, galerista, foi acusado do crime de branqueamento de capitais.

- Rui Guimarães Dias Costa, ex-sócio da Labicer, foi acusado do crime de fraude fiscal qualificada e burla qualificada.

- Hernâni Ferreira, gerente da sociedade FO Imobiliária, foi acusado do crime de burla qualificada.

- A Labicer - Laboratório Industrial Cerâmico é acusada do crime de fraude fiscal qualificada.

Canfranc a Estação que dava um filme: A ignorância se refere à falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre determinado tema, ou ainda à crença.








Depois de ler a obra "El oro de Canfranc" uma magnifica obra que relata alguns episódios da história da rota do Ouro NAZI,confiscado aos judeus essencialmente. mas de igual forma a outros prisioneiros feitos pelos seres mais execráveis que a história já conheceu.
Queria apenas fazer um breve apontamento antes de entrar no meu comentário sobre esta obra e alguns relatos que gostaria de fazer, porque tendo conhecido um ser que vive obcecado e compulsivo com o mais elementar e primário ANTI-COMUNISMO, que mais o aproxima dos NAZIS ALEMÃES, ou dos Fascistas Italianos e Portugueses, preocupado sempre com a União Soviética de Estaline a mesma que os Comunistas Portugueses oportunamente já fizeram a sua critica, mas louvor em alguns actos, por exemplo o post anterior sobre auschwitz, que fora libertado pelo Exército de "Estaline"....
Como o saber não ocupa espaço, começo a ficar convencido que a ignorância em alguns casos ou manifestamente é devido a alguma doença mental, ou algum caso de ANTI-COMUNISMO PSIQUIÁTRICO, ou esse individuo é ACÉFALO...Creio que efectivamente reúne todos os adjectivos acima referidos.
Depois de esta breve caracterização de uma personagem real, que pode bem ser uma personagem-tipo, de um Auto de Gil Vicente passo ao que realmente interessa, á história da Estação de Canfranc e a colaboração de Franco e Salazar com as autoridades Nazis e negócios que ajudar e suportaram a II guerra Mundial originada pela máquina criminosa Nazi.
A estação de Canfranc fica situada no município com o mesmo nome, no Vale de Aragão, na Comarca de Jacetania, na província de Huesca.


Canfranc Ouro é a história das vicissitudes da International Alfândega durante a Segunda Guerra Mundial. A estação de fronteira, a competência franco-espanhola, foi o cenário do tráfego de pelo menos 86 toneladas de ouro nazi da Suíça para Portugal e Espanha em 1942 e 1943.
Em contrapartida, os regimes de Franco e Salazar tungstênio neutro e de ferro vendido para a máquina de guerra de Hitler. Esses produtos também cruzaram a fronteira dos Pirinéus centrais, que abriu em 1928. Canfranc foi o centro deste comércio. Combinada a passagem de comboios nos dois sentidos, com a introdução de um sistema de distribuição com caminhões empresas suíças foi possível graças a um acordo secreto entre Espanha e Suíça.
Embora Canfranc estação internacional é de oito quilômetros em território espanhol, as tropas de Hitler colocou a suástica na plataforma francesa de novembro de 1942 até o verão de 1944, quando muitos trens carregados com os que fogem a derrota alemã na França . Os aliados usaram a travessia dos Pirinéus centrais, colocada durante os primeiros anos da guerra na França não ocupada, e entrou para o lugar onde os segredos, moedas e até mesmo as rádios com as quais eles devem se comunicar com a Resistência Francesa, que se estava formando.


Canfranc podia ser a cena de um filme como Casablanca, embora a história dessa travessia de fronteiras durante a Segunda Guerra Mundial ainda está por se escrever. A rota do ouro nazi para a Península Ibérica, a presença das SS e da Gestapo, a porta para a fuga de muitos judeus e até dos vencidos alemães, e os episódios de contra-espionagem dignos de um romance de John Le Carré. Tudo isto aconteceu em Canfranc entre 1942 e 1945.


A Alfandega internacional foi reaberta após ter sido fechada durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) para impedir uma invasão de França. Pouco depois, em 1942 e 1943, viveu uma actividade que nunca mais foi a mesma até ao seu encerramento em 1970. A suposta neutralidade da Espanha durante o conflito que resultou num período de turbulência na Europa vai chegar para movimentar 1.200 toneladas de mercadorias por mês na rota Alemanha-Suíça-Espanha-Portugal, entre elas 86 de ouro nazi, roubado aos judeus.

Alemanha controlou a Alfandega internacional de Canfranc durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com um grupo de oficiais da SS e o membros da Gestapo, que viviam no hotel da estação e numa cidade próxima. A Espanha não estava em guerra, mas Franco tinha uma posição de não-beligerância 'sui generis'. Devia devolver a ajuda que Hitler lhe deu na guerra Civil o que se traduziu no envio de toneladas de Volfrâmio de minas na Galiza, um mineral essencial para proteger os seus tanques e canhões. Muitas dessas explorações foram abertas por empresas alemãs que operavam em Espanha através da Sociedade Sofindus(Sociedade Financeira Industrial), uma holding alemã muito bem relacionado com Demetrio Carceller, diretor do Instituto Espanhol de Moeda Estrangeira (IEME), o único órgão que poderia comprar ouro...

Os "Documentos de Canfranc", cujo conteúdo Herald revelou esta semana, provando que em troca do apoio estratégico para o prolongamento da guerra, a Espanha recebeu, no mínimo, 12 toneladas de ouro e 4 de ópio, enquanto Portugal atingiu 74 toneladas de ouro, quatro de prata, 44 armas, 10 relógios e outros itens, o resultado da pilhagem dos judeus. Esses dados podem ser apenas a ponta do iceberg. Os originais desses documentos, enviados para o chefe de tráfego de mercadorias de Madrid, não existem. Portugal foi a porta de entrada de mercadorias da América do Sul e, no final da II Guerra Mundial, a saída de muitos alemães que encontraram refúgio na Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai. Por isso, recebia mais ouro.
"Havia queijos da Argentina, com uma pele muito espessa para suportar a viagem ou o açúcar que chegava a Lisboa", recorda Julio Ara.

Em Irun e Port Bou os nazis permaneceram no outro lado da fronteira, na França ocupada, mas em Canfranc viviam do lado espanhol na estação, localizada na Espanha, havia dupla jurisdição.

Concertos na estação

«Os alemães viviam na estação e realizavam concertos de piano na sala de jantar. Eles eram muito educados. Dançavam Valsa com as meninas de Canfranc e ofereciam-lhes chocolates. Eles eram engenheiros ou químicos e nós ignorantes que tínhamos muita fome durante a guerra, confessa um vizinho de Canfranc que na altura teria 14 anos e agora prefere manter-se no anonimato. Se alguma história de amor foi idealizada, como em Casablanca, não perdurou.

"Embora estivessem a servir no lado francês não havia nenhum problema a passar para o lado espanhol. Alguns viviam na pousada Marraco. Havia seis oficiais fixos e outros á paisana da Gestapo, mas às vezes chegavam grupos de vinte soldados uniformizados que vinham da frente para descansar", acrescenta.

Os vizinhos de Canfranc, abalados ainda pelos efeitos da Guerra Civil fugiram para França, mas agora não podiam atravessar a fronteira. Precisavam de um Salvo Conduto. "Desde Anzánigo, era uma área impermeabilizada", diz um vizinho. Um dos documentos "Canfranc", datado de 24 de maio de 1940 e assinado pelo super intendente da Unidade de Pesquisa e Vigilância, disse que "todo aquele que vivia na área a partir de 18 de Julho de 1936 devia apresentar-se num prazo de oito dias na Esquadra com a relação dos que viviam em sua casa, com os certificados das pessoas e empresas. "O não cumprimento levava ao regresso forçado á sua antiga residência ", avisa.

Os Carabinieri, a Guardia Civil e os oficiais SS eram inflexíveis com o roubo de bens, como relógios, que eram transportados para Portugal. "Roubaram uma caixa e eles procuraram-na. Um rapaz chegou a ser enforcado e outro multado em muito dinheiro ", contam em Canfranc.

A falta de liberdade de movimento juntava-se á fome mitigada pelas mercadorias que eram descarregadas. O salário médio de um trabalhador era de 200 pesetas por mês. Então, sempre se desviava alguma coisa dos comboios para casa. "Sacavam-se latas de sardinha, açúcar, óleo, café ou vinho que enviavam os portugueses da Madeira. Menos mal, pois passava muitas mercadorias e podíamos levar umas coisas, porque havia muita fome ", diz Daniel Sanchez, 87 anos, um dos poucos canfraneros que pode contar que carregou caixas com lingotes de ouro ás suas costas.

O ouro nazi chegava por comboio a Canfranc de acordo com os documentos descobertos pelo francês Jonathan Diaz na estação em novembro do ano passado, após a gravação de um anúncio da loteria de Natal. Entre julho 1942 e dezembro de 1943 atingiu 45 comboios, seis deles com destino a Espanha ("importação" aparece no papel) com 12 toneladas de ouro, e o resto do "trânsito" com destino a Portugal, que recebeu 74 toneladas de metais preciosos. Daniel descarregava o ouro dos comboios suíços pela ponte internacional e colocava-o em camiões suiços que se encarregavam de leva-lo para Madrid e Portugal, através das fronteiras de Badajoz, Valencia de Alcántara e Fuentes de Oñoro.

O historiador Pablo Martín Aceña, director da comissão espanhola que investigou as compras de ouro nazi pela Espanha, disse que a Península Ibérica recebeu estes carregamentos até agosto de 1945, por Hendaya, Port Bou e Canfranc, mas não sabe em que proporção.«Os serviços de inteligência dos aliados contabilizaram 135 saídas da fronteira franco-suíça de Bellegarde para a Península Ibérica», aponta.

Estes comboios transportavam "um total de 300 toneladas ". Portugal comprou muito ouro que saiu da Bélgica e Holanda. O que foi recebido por Espanha (IEME), é evidente a partir das contas que foram investigadas no Reichbank, o Banco Nacional Suíço e o IEME. Outra coisa é que as empresas espanholas na Alemanha cobraram em ouro e depositaram-no em Londres ou Zurique. Calcula-se que 20 toneladas de ouro entraram em Espanha pela troca de Volfrâmio ", assinala Martin Aceña.
Esse Volfrâmio que ainda pode ser visto, 60 anos mais tarde, no cais e nas vias mortas da estação de Canfranc.
Portugal e Espanha exportaram esse minério para a Alemanha, no entanto, em 1944 os aliados pressionaram o regime de Franco e de Salazar parar com as exportações, a fim de acabar com a guerra.» 1


A ultima Visão História (nº8, Portugal e a II Guerra Mundial) escreve também algo muito interessante sobre o tema, referindo-se que muito do ouro vindo para Portugal foi "comprado" pelo Santuário de Fátima entre outros pormenores dos quais se cita o seguinte:

«Os negócios entre o Portugal de Salazar e a Alemanha de Hitler ainda escondem mais do que revelam. E a versão oficial da "Comissão Soares" sobre o ouro nazi deixou uma série de pontas soltas. Lentamente, porém, segredos comprometedores vieram à tona...»

Do livro "Portugal e o Plano Marshall" da historiadora Fernanda Rollo também se extrai o seguinte:
Na ponderação das condicionantes que terão contribuído para determinar a atitude de Portugal em dispensar inicialmente auxílio Marshall colocava-se ainda outro problema: a questão do ouro alemão, cuja legitimidade de posse, tal como referia o Ministro das finanças no Parecer datado de 27 de Agosto de 1947, nos era contestada.
Permanecem porém, muitas divergências quanto á quantidade recebida de ouro "sujo" por parte de Portugal.

Por isso antes de andarem preocupados com falsificações de História, em falsear a história, deviam se preocupar em não deixar branquear a História.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A Feliz libertação de Auschwitz-Birkenau pela U.R.S.S. e Fantasmas que surgem do passado....





Fez dia 27 de Janeiro 66 anos da libertação deAuschwitz-Birkenau, nome de um grupo de campos de concentração localizados no sul da Polônia, símbolos do Holocausto perpetrado pelo nazismo, o pior regime que a Humanidade teve a infelicidade de conhecer, devido aos horrores, terrores, massacres sem fins e á exploração de seres humanos em niveis surreais,hoje escrevo este artigo no blog para homenagear as vitimas do campo de Auschwitz e os libertadores do campo, o Éxercito Vermelho da U.R.S.S. e denunciar novos pergigos que nos dias de hoje reaparecem, perigos que temos de combater duramente...
Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Em suas câmaras de gás e crematórios, foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio contra os judeus, ciganos (sinti e rom) e outros tantos grupos perseguidos pelos nazistas.

As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.
"Na chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante questionavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam", contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para os aposentos ou direto para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando sua sentença de morte.

Câmaras de gás e crematórios foram criadas para os prrisioneiros no campo de concentração de Buchenwald, no Leste da AlemanhaAuschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa de Cracóvia. Concebido inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS (Schutzstaffel) instituiu as câmaras de gás com o altamente tóxico Zyklon B. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, quando em contato com o ar a substância desenvolve gases que matam em questão de minutos. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.
Um dos médicos que decidiam quem iria para a câmara de gás era Josef Mengele. Segundo Lasker, ele se ocupava com pesquisas: "Levavam mulheres para o Bloco 10 em Auschwitz. Lá, elas eram esterilizadas, isto é, se faziam com elas experiências como se costuma fazer com porquinhos da Índia. Além disso, faziam experiências com gêmeos: quase lhes arrancavam a língua, abriam o nariz, coisas deste tipo..."

O objectivo consistia em trabalhar até cair...

Os que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. O conglomerado IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses, explica a sobrevivente.
"A cada semana era feita uma triagem", relata a sobrevivente Charlotte Grunow. "As pessoas tinham de ficar paradas durante várias horas diante de seus blocos. Aí chegava Mengele, o médico da SS. Com um simples gesto, ele determinava o fim de uma vida com que não simpatizasse."

Para apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Charlotte Grunow e Anita Lasker foram levadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde os britânicos as libertaram em abril de 1945. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.
"Fomos literalmente escorraçados", lembra Pavel Kohn, de Praga. "Sob os olhos da SS e dos soldados alemães, tivemos de deixar o campo de concentração para marchar dia e noite numa direção desconhecida. Quem não estivesse em condições de continuar caminhando, era executado a tiros", conta. Milhares de corpos ficaram ao longo da rota da morte. Para eles, a libertação chegou muito tarde...

Os nazi-fascistas sofreram não só uma derrota militar, mas também uma derrota política e moral. A ideologia da igualdade de todas as raças e da amizade entre as nações conquistou uma vitória incontestável contra a ideologia do nacionalismo brutal e do ódio racial. Com sua política canibalesca, Hitler mobilizou o mundo inteiro contra a Alemanha. A chamada "raça superior" tornou-se o alvo do ódio universal. Mas vale ressaltar que os soviéticos não odeiam os alemães por causa de preconceitos raciais ou questões nacionalistas. O povo soviético odiava esses invasores não porque eles são de outro país, mas porque eles causaram sofrimento horrivel e infortúnio impensáveis aos soviéticos os que mais sofreram.O povo tem um velho ditado:O lobo não é caçado só porque é cinza, mas porque devora o carneiro...
Que sirva de exemplo para que nunca mais se repita algo asssim...



Porque por exemplo na Hungria, pela primeira vez um partido declaradamente de extrema direita conseguiu entrar no parlamento nacional de um país europeu. Na França, a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen teve resultados significativos nas eleições regionais.

Na Itália, a populista e xenófoba Liga Norte fortificou sua posição e, na Holanda a popularidade do crítico do Islã Geert Wilders aumenta a cada dia. Até que ponto a população da Europa é vulnerável aos apelos populistas, que apresentam soluções aparentemente simples para problemas complexos?


A Frente Nacional, de Le Pen, saiu vitoriosa das últimas regionais francesasMas os partidos xenófobos e de extrema direita estão ganhando popularidade. Nos últimos meses, têm conseguido ganhos espetaculares em vários países da UE. Como é o caso agora da Hungria, onde Viktor Orban, vencedor das eleições e presidente do conservador Fidesz, se serviu durante a campanha tanto de estereótipos xenófobos como de um discurso á Hitler, assim como do recém-formado partido de extrema direita Jobbik, que também apresentou ganhos significativos de eleitorado.


Os movimentos populistas de direita europeus têm características distintas,
temos populistas de extrema direita na Escandinávia que protestam contra impostos, temos os nacionalistas na Europa Oriental que tentam ganhar novas identidades com a queda do Muro de Berlim. Temos características muito diferentes, como o líder francês Jean-Marie Le Pen, ou com o movimento na Áustria que era liderado por Jörg Haider.
Mas populistas de extrema direita têm em comum a capacidade de instrumentalizar a seu favor os medos dos eleitores em tempos de crise, aproveitando-se da insatisfação dos cidadãos e oferecendo respostas simples para problemas complexos, como a situação econômica ou o desemprego. Eles querem se livrar sobretudo dos estrangeiros e dos outros.


O fato de esses movimentos se caracterizarem sobretudo pela discriminação de tudo aquilo que é estrangeiro faz com que não consigam colaborar com outras forças similares além das fronteiras dos países em que atuam.
Isso fica claro no Parlamento Europeu.Tanto extremistas de direita quanto populistas de direita têm seus problemas com o conceito de Europa. Eles lutam contra instituições políticas supranacionais como a UE. Querem manter a identidade de seus próprios países. Paradoxalmente, tentaram formar uma bancada própria no Parlamento Europeu, o que não deu certo, porque as diferenças entre eles eram muito grandes.
Muitas vezes, os pequenos partidos de extrema direita permanecem partidos de protesto e não conseguem participar de uma coalizão. Ao mesmo tempo, exercem pressão sobre os partidos conservadores do centro, os quais não querem perder seus eleitores mais de direita.
Isso pôde ser observado também nas eleições regionais de fevereiro na França, nas quais tanto os socialistas como a Frente Nacional conseguiram um forte ganho de votos, às custas dos conservadores.

Por isso é preciso a união das forças democráticas e progressistas para derrotar novos ventos de FASCISMO E NAZISMO e impedir novos Auschwitz.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Capitalismo precisa da Eutanásia.


O sistema capitalista global está mais uma vez oscilando à beira de uma grave crise financeira e recessão económica. A crise da dívida soberana (pública) na Europa – que ameaça a existência do euro e até da União Europeia (UE) – está causando ondas de choque em todo o mundo. A perspectiva muito real de calotes da Grécia e de países maiores como Espanha e Itália se aproxima. Isso por sua vez pode derrubar os grandes bancos e desencadear uma nova crise de crédito ainda mais terrível que a após o colapso do Lehman Brothers 18 meses atrás.

O risco de que a anémica “recuperação” económica dos últimos seis meses se torna em uma recessão de “duplo mergulho” é agora visto como um perigo por governos e economistas que há apenas algumas semanas atrás rejeitavam tal cenário.
Os eventos europeus – os maiores protestos de trabalhadores na Grécia em quase 40 anos, ataques draconianos aos salários, aposentadoras e empregos, e choques agudos entre os governos – são todos sintomas de uma doença crónica do sistema capitalista. A fase actual da crise é agravada pelas próprias políticas apresentadas como “a cura” para a fase anterior. Para superar a crise de crédito e o colapso parcial do sistema bancário global, os governos introduziram políticas de estímulo sem precedentes sob um plano coordenado globalmente pelo G20. Isso impediu uma contração econômica mais séria na época. Os governos resgataram bancos e companhias altamente endividados, em alguns casos nacionalizado-os como um “expediente temporário”. Mas com a economia ainda organizada nos moldes do capitalismo, cegamente, com gangues capitalistas rivais pondo lucros de curto prazo antes dos interesses globais da sociedade, então inevitavelmente os distorcidos pacotes “keynesianos” de resgate de 2008 e 2009 forneceram apenas um alívio temporário.

Como explica o economista Nouriel Roubini, “A socialização das perdas privadas e a frouxidão fiscal com o objectivo de estimular as economias em recessão tem levado a um cúmulo perigoso de deficits do orçamento público e dívidas. Então, a recente crise financeira global não acabou; ao invés, ela alcançou uma etapa nova e mais perigosa.”

Não são mais os bancos, mas os próprios governos que precisam de um resgate. Os resgatadores se tornaram os resgatados. Ao invés de devolver o favor, os ingratos bancos e instituições financeiras, ainda carregados de enormes perdas não-divulgadas, estão fazendo tudo para lucrar com isso e assim piorar a crise através da especulação frenética nos mercados de dívidas governamentais. Na Europa, os estados mais poderosos, Alemanha e França, estão relutantemente patrocinando um resgate dos estados mais fracos, começando com a Grécia.

Como os socialistas se esforçam para explicar, esse não é um resgate para a Grécia ou o povo grego, que enfrenta selvagens políticas de austeridade, mas para os bancos e o próprio sistema capitalista. Os bancos da Alemanha e França possuem 70% da dívida grega e se arriscam a serem prejudicados por um calote grego, i.e., o cancelamento dos pagamentos da dívida. O euro está em risco e, com ele, o prestígio e aspirações globais das principais potências europeias. O presidente francês Sarkozy ameaçou abandonar do euro se os líderes alemães não assinassem o último “pacote de resgate” para a Grécia, Portugal, Espanha e outras economias que são o elo fraco. Merkel, a chanceler alemã, verbalizou o que isso poderia significar quando disse: “Esse desafio é existencial e temos que enfrentá-lo. O euro está em perigo… Se o euro cair, então a Europa cai”.

Tal seria a desarticulação econômica da Europa no caso de um desmoronamento da união monetária capitalista europeia, com cada governo tentando diminuir suas próprias perdas às custas dos vizinhos, que a União Europeia talvez não poderia mais se manter juntos. Uma pressão social massiva e um sentimento anti-UE poderiam forçar os governos a romperem com a união. Em uma base capitalista isso provavelmente seria acompanhado de uma eclosão de nacionalismo e de ataques às “causas estrangeiras” da crise.

A condição perigosa da Europa capitalista explica o Fundo de Estabilização Europeu (FEE) de quase 1 trilhão de dólares lançado no início de maio pela UE e FMI para “acalmar os mercados” (i.e., os bancos e fundos hedge) numa tentativa de impedir que o contágio financeiro se espalhasse. Esse pacote sem precedentes de empréstimos de emergência, compras de títulos da dívida e garantias bancárias foi o equivalente europeu à “bazuca” produzida pelo antigo secretário do tesouro dos EUA Hank Paulson após o colapso do Lehman Brothers – o plano “TARP” de 700 bilhões de dólares para comprar os ativos tóxicos ou “problemáticos” acumulados pelo sistema bancário norte-americano. Resta saber se a “bazuca” europeia pode estabilizar a situação – a reação inicial do mercado foi de mais especulação contra o euro.

Como antes, essa é uma crise global. Não está circunscrita à Europa mais do que a crise “subprime” foi apenas um assunto americano. E como pontua Roubini, essa é potencialmente uma fase da crise muito mais séria do que a anterior. A interconexão do capitalismo está plenamente revelada. A Grécia apenas responde por um quadragésimo da economia da zona do euro mas sua crise da dívida ameaça redundar em uma crise financeira européia e até global.

No final de 2009, os bancos da Europa possuiam US$ 2,29 trilhões em risco na Grécia, Itália, Portugal e Espanha. Mais expostos estão os bancos franceses, com US$ 843 bilhões (dinheiro que seria perdido no caso de uma série de calotes soberanos). Mas os bancos dos EUA também estão seriamente expostos. Estima-se que apenas o JPMorgan Chase possui US$ 1,4 trilhão de exposições por toda a Europa, enquanto o Citigroup Inc. possui US$ 468,4 bilhões. Não por acaso, a administração Obama pressionou firme para que a UE/FMI produzissem sua “bazuca”.

Por toda a Europa os governos estão lançando uma massiva ofensiva contra a classe trabalhadora. Isso foi algo que os socialistas do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT) alertaram que ocorreria quando os programas de estímulo foram desvelados 18 meses atrás. Na Grécia os salários serão cortados em 20-25% e o desemprego pode dobrar para um quinto da força de trabalho no próximo ano. A Espanha, também governada por um suposto governo “socialista”, planeja as maiores reduções orçamentárias em 30 anos.

O que está acontecendo na Europa agora é uma antecipação do que virá na Ásia amanhã. Nos EUA, a situação a nível dos estados já parece distintamente “europeia”. O colunista do Washington Post Michael Gerson alerta: “Alguns estados grandes, como Califórnia e Nova Iorque, estão à beira da inadimplência. Eles conseguirão grandes reduções de gastos apenas cortando seus níveis salariais e de aposentadoria do funcionalismo público. Isso criará uma grande batalha entre os governos estaduais e o movimento dos trabalhadores”.

Os partidos e comentaristas capitalistas estão falando não de alguns anos difíceis, mas de uma “era de austeridade”. A menos que os trabalhadores se organizem, preparem e lutem então se aproxima uma era sem fim de ataques à frente. No caso do Japão, um estudo recente do instituto suíço IMD fala de “70 anos de austeridade” – teria que se esperar até 2084 para o Japão reduzir sua dívida estatal, actualmente 189% do PIB, a um nível “normal” de 60%. Os capitalistas estão elaborando planos para empobrecer a classe trabalhadora e tomar de volta os ganhos de meio século de luta sindical e política, por isso o que importa é estar alerta e derrotar os planos de exploração do Capitalismo.