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sábado, 1 de maio de 2010

Socialismo ou barbárie: Ao povo o que é do povo.







Passados trinta e seis do 25 de Abril e hoje que também se celebra o dia do trabalhador, celebrado pela primeira vez no primeiro de Maio de 1974, não poderia deixar algumas notas e alguns pensamentos sobre o Estado da nossa nação.
É nestes dias e em todos os outros do ano que convém lembrar o que foram as conquistas de Abril, o que representaram em toda a sua dimensão social, cultural, económica e mesmo politicamente, que as conquistas de Abril representaram para o nosso país o rumo ao progresso, sendo que o povo, tomou o que lhe pertencia por direito, e ainda que muita gente "não saiba", o direito do povo, foi conquistado e regulamentado por Constituição, ao qual o povo foi chamado a votar, para a composição da assembleia constituinte.
Convém lembrar o papel que os comunistas, os progressistas, os que queriam o socialismo real e autêntico (não aquele que nem sequer algum dia saiu da gaveta)na luta no terreno, nas demonstrações de força popular e de grande iniciativa ao lado do povo que conquistou e que determinou que fossem impressas no texto constitucional que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976.
Passados estes anos todos, depois de sucessivos (des)governos de direita que este país conheceu, pouco é preciso para se chegar a conclusões definitivas sobre a ofensiva que o grande capital exerceu e exerce para aumentar os seus "modus vivendi" prejudicando com a sua natureza opressiva e exploradora o país, destruindo direitos e as conquistas que tão custosamente o nosso povo conquistou durante Abril e o prec.
O poder politico representado pelas forças politicas do partido socialista, dos sociais-democratas e dos democratas-cristãos ao serviço do grande capital, têm cumprido o seu papel, a restituição dos monopólios e dos privilégios de classe ao grande capital.
Destruíram o aparelho produtivo, a iniciativa pública, os serviços nacionais de saúde e de educação têm sido mercantilizados, ostracizados com guerras sem quartel, a qualidade de vida têm se deteriorado, os trabalhadores não passam de mão escrava, sendo as chantagens e as ameaças diárias, com uma realidade social imposta de um salário mínimo nacional em que a lógica é a sobrevivência e não a qualidade de vida do ser Humano, querendo agora para cumulo acabar com subsidio de férias das classes trabalhadoras para aumentar ainda mais a miséria do nosso povo, mas para manter os lucros dos parasitas que tentam enforcar o nosso povo na miséria.
Muitos podem pensar que isto é inevitável, que esta ofensiva do grande capital que em particular depois do desaparecimento do campo socialista de leste, tem condenado á morte milhares de seres Humanos, agravando as desigualdades do mundo, aumentando o fosso entre as sociedades, entre as classes trabalhadoras e aqueles que as exploram, onde os "teoricos e professores" profetizam "milagres", "saídas milagrosas para a crise", onde as suas previsões se mostram erradas para os povos, mas certeiras para o grande capital, querendo transmitir a ideia de que é irreversível, de que nada se pode fazer, que é inevitável, que os povos estão condenados a isso.
Mas nós comunistas Portugueses, orgulhosos do nosso passado, do nosso presente de luta e resistência, ao serviço do povo portugûes, mostra-mos com confiança e determinação que outra solução é possível, não com estas politicas, mas sim com Socialismo.
E a experiência histórica que acumulamos do passado de Abril, com outros fenómenos e processos históricos ocorridos em outros países, sempre com a análise e correcção constante dos processos políticos e sociais, com o objectivo de transformar a sociedade, acabar com as desigualdades sociais e fenómenos que a nossa sociedade começa a viver agora, nas suas mais variadas expressões negativas, querendo colocar o rumo certo para o nosso povo e o nosso país.
Não vamos nunca desistir do nosso ideal de justiça, pois é isto que estamos a abordar o conceito de justiça, do qual sem problema nenhum não nos importamos de querer e de desejar outra revolução, mesmo com grande sentido de verdade assumimos perante a história, diante dos homens e mulheres, que uma revolução acarreta sempre sofrimento de pessoas, mas isso é o que passarei a explicar, pois como Álvaro Cunhal disse e bem, na nossa revolução os que sofreram e bastante foram os Melos, os Champalimaud, os Espírito-Santo,entre outros, mas justamente nesse conceito de sofrimento destes senhores quando se viram desposados de propriedades e de meios de produção, da banca, de sectores estratégicos, o conceito de justiça estava presente, pois o sofrimento real destes senhores,mas que inaugurou a justiça para os explorados e oprimidos, que com os instrumentos nacionalizados ao serviço do povo e da pátria para melhorar a vida de milhões de portugueses, sendo que nessa justiça eu voto e votarei sempre reconhecendo a história como um processo de luta de classes, não abdicando dos valores de Abril, provando ser possível transformar e recuperar a sociedade, mostrando potencial e iniciativa histórica, sendo o Homem o objecto da acção, comandando o seu destino, através da economia, da politica, da cultura e da acção social directa e institucionalizada.
Esta experiência histórica foi coroada de sucesso, somente sendo fracassada porque os sucessivos governos, cães obdientes do grande capital revogaram, destruíram e sabotaram as politicas verdadeiramente socialistas, não porque o socialismo fracassou, mas porque ps, psd, cds-pp restauraram os monopólios e as politicas dos "trusts" (cito até em outros tempos quando o "socialista" Françõis Miterrand apregoava "Non à l'Europe des marchands".
É por isso que como nós sabemos que efeito prático estas politicas tiveram na sociedade, as classes trabalhadoras cada vez mais pobres, as classes possidentes recuperaram o perdido, e aumentaram as suas fortunas pessoais em milhões de Euros.
Este é o resultado destas politicas de direita que todos assistimos dia-á-dia, onde este maldito governo que teima em se chamar "socialista", mostrando todos os podres que emana do seu moribundo e corrupto corpo que assola este país, mostrando ser mais de direita do que os próprios sociais-democratas do senhor Coelho, mas em hierarquia de valores são gémeos puros e siameses, pois só os conseguimos diferenciar porque um tem mais "D" de dinheiro do que o partido "socialista".
Por isso neste 1 de Maio como não poderia deixar de ser, a solidariedade com os trabalhadores e com os desempregados, os desesperados e os aflitos da sociedade está presente, ao lado do meu povo, ao lado dos valores da humanidade e do progresso social e da liberdade.
Viva o 1º de Maio, viva Abril, viva o Socialismo, ontem, hoje e sempre.
Socialismo ou barbárie é esta a escolha que temos de fazer como fez Rosa Luxemburgo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Anabela Campos

http://aeiou.expresso.pt/guerra-de-poder-na-portugal-telecom-ao-rubro=f567174

Engraçada jornalista, incrível pelas suas "teses" económicas, provocatoriamente pelas suas opiniões quer de suprema ignorância, contudo depois de algumas entrevistas analisadas, quero deixar uns breves apontamentos sobre as opiniões sobre as suas teses económicas.
Primeiro na questão do orçamento de estado, a sua opinião da redução do défice é "brilhante", primeiro aconselha a cortar nas despesas, apregoando as teses económicas da "cartilha liberal", não propondo como a maioria dos economistas receitas para as contas do Estado, visto que as empresas Estatais que foram nacionalizadas, canalizando os lucros outrora do Estado, para o bolso do grande capital, afectando assim as receitas outrora fortes e pesadas nas contas do Estado.
Falando em aumento de impostos, é fácil, visto que a senhora Anabela é funcionária do grupo impresa, não sabendo os seus méritos para tal, ou então acrescento que ela como os outros brilhantes economistas que por ai andam á anos com as suas "teses" que depois no terreno económico não se verificam correctas, ou produzem efeitos nefastos para a economia.
Obviamente que se percebe porque é funcionária do grupo impresa, ou não fosse o patrão o senhor militante numero 1 Francisco Pinto Balsemão.
Mas não me desviando do assunto, esta senhora, na questão dos aumentos dos pilotos da tap, ao que ela proferiu serem superiores aos salários do primeiro-ministro e do presidente da républica, não se manifestou contra os vencimentos dos administradores e do seu presidente (ultra-católico diga-se de passagem) proferindo que é imoral estes aumentos, não contrapondo a situação das empresas públicas empresariais, do sector do estado nas participações nas empresas, sendo imoral no caso tanto da EDP como no caso da PT.
Depois na questão dos mercados, referindo a questão da instabilidade, não referindo as causas, nem referindo as tropelias que acontecem no mercado, refere pressão sobre sobre estes, conferindo a sua opinião em que os mercados estão instáveis devido aos défices públicos...
Contudo o que salva referir é que os mercados estão como estão não somente derivado ás politicas governativas neo-liberais, mas também porque a roubalheira que já todos assistimos no caso bpn, bcp, bpp, sem referir mercados internacionais, em que a roubalheira foi suprema, refere que os défices públicos têm uma clara influência nos mercados, mas no entanto a análise da questão deve ser meramente analisada na questão dos créditos que o governo pode atrair exteriormente, porque de resto o próprio mercado segundo os "especialistas" regula-se a ele próprio...
Superior falsidade esta...
Quero no entanto dizer que depois de ver as entrevistas desta senhora, dos economistas da "cartilha" e ainda assim indo mais longe as do próprio Cavaco Silva, primeiro-ministro durante 10 anos, e de todo o programa da sic, que não sei bem se é a sede própria do psd, quero dizer claramente que estes senhores e senhoras deviam ser definitivamente enviados para a faculdade para aprender politicas públicas, politicas sociais, e não da "economia casino" que têm levado este país ao descalabro.
Por isso antes de opinarem façam um voto de silêncio, ou calem estas estações televisivas que têm o descaramento de colocar este "painel" incluindo a senhora Anabela Campos, onde sou obrigado a citar "Quando uma nação foi forçada a recorrer ao direito de insurreição, volta ao estado natural com relação ao tirano. Como poderia este invocar o pacto social? Ele aniquilou-o". Embora Rousseau não afirmasse que o rei estava vinculado ao povo por um contrato, admitia que, no estado de insurreição provocado pela usurpação do poder soberano do povo pelo monarca, a volta ao estado de natureza implicava num último recurso que o indivíduo ainda tinha de poder defender-se contra os ataques do inimigo, sob pena de perecer"
É isto que alguns tentam fazer, evitar o descalabro, não nos guiando por estes "esclarecidos" artigos ou entrevistas de opinião....
Ganhem vergonha e regressem ás faculdades de economia, mas com outros professores, porque a lição é péssima.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Superioridade



Como a mentira FUNCIONA, tem que se desmistificar a mentira quando ela é apregoada mil vezes, ainda que de maneira diferente, pois depois de ler o livro (Foi Assim), as entrevistas de Zita Seabra, não me resta outra alternativa, antes de dedicar um post ao 25 de Abril, tenho que dizer com toda a frontalidade, que aquela senhora conseguiu já bater o recorde de mentiras quer do Goebbels, quer do Hitler.
Isto porque tomar uma postura contra os posicionamentos desviantes sempre constantes da Zita, era ridículo, porque as suas posições diante da própria história, se encarregaram de um dia colocar a inteligencia no lugar certo.
Isto porque estamos na habitual celebração da data que irá inaugurar o período mais luminoso da história deste país, seria injusto para com a pessoa de Álvaro Cunhal e os milhares de Comunistas que deram o seu valioso contributo e alguns pagaram com a vida por valores como os que acredito, ao longo da ditadura e mesmo depois do 25 de Abril.
Contudo essa senhora, apregoa que foi uma revolucionária, no vídeo insinua-se bolchevique ( termo histórico especifico que designa o termo maioria, depois da separação da ala menchevique no P.O.S.D.R.) que curiosamente significa Maioria, algo que a Zita "democrática " não entende, ela que queria "reformar" o partido, e quando esta cartilha, diz "reformar", eu digo destruir, pois a história do movimento sindical e comunista foi severamente atingido na sequência das "reformas" perestroika e glasnost, bons princípios que não foram levados á letra,pelos dirigentes que queriam tudo menos o socialismo verdadeiro, obviamente era isto e não somente o que a Zita queria, era poder dar entrevistas com ela própria num triste e humilhante espectáculo de representação farsosa, era ter uma entrevista na r.t.p. com a Judite de Sousa e escrever um péssimo livro, mentiroso, sem escrúpulos e acima de tudo com tiques de quem escolhe ser uma verdadeira nulidade em termos de rigor intelectual e moral, porque o seu conhecimento limitado é demais evidente.
Nesta entrevista apanham-se mentiras fascinantes, delírios anti-comunistas e de uma inferioridade intelectual, que meus senhores, na minha óptica sou forçado perante os padrões das "bestas" (armas medievais mortíferas...)considero mais culto e mais honesto intelectualmente o G.W. Bush, sendo que os efeitos daquilo que ambos defendem, seja o mesmo, a exploração, a morte, os regimes mais fascistas e reaccionários, em deterimento do ser Humano, suporto-me na tese politica do apoio dos do "costume" mas mais concretamente ao P.S.D. da Sra. zita, aquando do apoio claro e total á guerra do Iraque, na época primeiro-ministro Durão Barroso.
Isto para que fique bem claro a distância humana que nos separa é imensa, tinha que o frisar.
Contudo, para terminar, queria aconselhar duas coisas, aos leitores deste artigo, a entrevista com a Judite de Sousa, onde ela mente com todas as letras, dizendo ai que o último contacto foi numa recepção de uma embaixada, onde existiu segundo ela disse uma troca de olhares, algo que não acredito, porque o Álvaro Cunhal nem falava dela para "não poluir mais a atmosfera", mas nesta entrevista, já diz que estava a falar com as "tias de Cascais", que perderam o medo de Álvaro Cunhal...
Pobre coitada esta senhora, que mente tão descaradamente...
Contudo além das inverdades do livro, mentiras absolutas já refutadas pelo Vítor dias, e pelo artigo do avante, deixo no ar, a "coerência" da Zita na questão do aborto, e a questão de ser mesmo em si do próprio veneno da imoral e da incoerência, quero agradecer uma frase da Zita no seu livro, que sem querer, pela sua ignorância profunda no livro, diz o seguinte: "já só existem comunistas em Portugal", termino com um, obrigado Zita, afinal ainda os existe, segundo, prova que o comunismo no mundo não morreu, e que afinal nós somos uns bons exemplos para o Mundo.
E deliciem-se com o degradante espectaculo, porque, chamar circo ou palhaçada ao vídeo acima postado, era ultrajante.
Afinal foi mesmo e é mesmo Assim, a superiorida moral do nosso lado, o ridículo e a miséria do outro, miséria causadora do sofrimento de milhares. Foi Assim e eles bem querem que continue assim... Até um dia..

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um ano depois.... 36 anos depois


Não me debruçarei muito tempo a dissertar sobre o já muito escrito, multilateralmente sobre o blog, um ano depois, o blog continua forte ou fraco, não sei, esteticamente bonito, feio, não sei, não me interessa, apenas o seu conteúdo.
Se o objectivo era levantar a discussão, originar a reflexão, então uma vitória tem que se assinalar, não porque fui eu que a ganhei, mas porque todos discutimos, e se quer não se goste, quer se goste das ideias discutidas, um ponto é assente, é que a perspectiva de hoje a nossa massa jovem continuar atenta, esclarecida, observadora, interventiva é sinal de esperança, de força e convicção no futuro, desde já admito, não tenho fé no futuro, nem sequer esperanças, tenho convicção que um Portugal e um Mundo diferentes são possíveis, onde as formulas são as mesmas de outros tempos, com outros vectores, novos fenómenos, novos problemas, mas com a certeza imutável da história: A Luta de Classes.
Honestamente como dizia Émile Zola "A verdade marcha e nada conseguirá detê-la", pois não é preciso ter uma escola politica, ter um curso superior, frequentar tertúlias, ambientes de reflexão para se perceber que se é pobre, o pobre faltando-lhe as mais elementares condições politicas, sociais e económicas, parte em busca do que é seu, na sua humilde concepção materialistica e existencial.
Para fazer um ano de blog, quero dizer que volvidos trinta e seis anos da instauração da "democracia", embora isto me pareça mais uma plutocracia como na época do fascismo, onde o despudor e exploração sem preceitos levarão a que o povo Português parta em busca do conceito de justiça, em todos os seus domínios.
As classes possidentes, teimam em não ceder, em não reformular o podre sistema capitalista, detendo os instrumentos de poder económico, social e militar e até grande parte de cultural, procuram asfixiar a vontade do povo, segundo a lógica do lucro, querendo escravizar o nosso povo já escravizado faz séculos.
No entanto este país, atrasado até de mentalidades no fétido e podre capitalismo, como no século passado, recuso a fazer as reformas, que se tornarão inevitáveis, que levaram aqui a fazer-se uma revolução, ao contrário de quase todos os países Europeus.
No entanto, não a quero assim, em forma de esmola, em forma de "caridadezinha", mas não se esqueçam, o povo tomara aquilo que lhe pertence, seja, em Abril, em Maio, em Dezembro, num qualquer ano, pois, o aprofundamento da crise capitalista, paga com a escravidão do povo, será o motor que novamente irá colocar o país na rota da destruição desta exploração sem-vergonha ao nosso povo.
Abril sempre, hoje, á um ano, á trinta e seis anos, pois Abril é quando o povo quiser, e não com os caciques a "evoluírem".
Contudo não iria acabar para os governos, pessoas e enfim, aqueles coitados do costume a quem a escrita progressista assusta com uma citação de Émile Zola "Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa"

Liberdade sempre, politica, social, cultural e económica.

domingo, 4 de abril de 2010

Bloco de Esquerda (ou mesmo de direita)


Pois, bem, depois de alguns anos de experiência, de alguns factos observados e analisados, o Bloco de Esquerda cada vez me surpreende mais pela negativa,ridiculamente e provocatoriamente pelo facto que isto não é novo existirem "grupinhos", porque não passam disso, em que se dedicam a combater os progressistas, porque como dizia Urbano Rodrigues, eu hoje não sei se posso dizer que sou de esquerda, porque existindo ai socialistas e bloquistas de "esquerda", prefiro usar termos que nos distingam, pois sem dúvida alguma que as tropelias são tantas que temos que começar a enumerar os pensamentos deste senhores.
Começando então pelo topo, pela sua génese, esses grupos outrora conjuntos de associações e de partidos, já na época do governo de Vasco Gonçalves se dedicavam a combater o governo provisório que mais "pisou" os calos do grande capital, que reformou e instalou processos e conquistas que ninguém até á época tinha ousado enfrentar, desde as nacionalizações, passando pela conquista do salário mínimo, entre as bases para a futura instalação de um serviço nacional de saúde e de educação, por isso meu espanto histórico vai para o facto de eles terem combatido os únicos governos que de facto de verdadeira esquerda e progressista existiu aqui neste fétido país.
Avançando uns bons tempos para a frente, começa a festa do ridículo, pois o bloco de esquerda, fez do pcp o seu maior inimigo, partido politico, social, cultural e económico, atenção a estas quatro vertentes, pois do bloco de esquerda, nem uma encontro, até porque nem um partido são, apenas um conjunto de grupinhos sustentados pela comunicação social, aliás aqui a uns tempinhos atrás, o elogio do Louçã para com o jornal do Belmiro, do grupo sonae, O Público, foi revelador dos favores que para ali andam "dando os parabéns ao jornal de livre opinião" referindo-se ao mesmo.
Mas isto não é tudo, pois como tenho conhecimento pessoal, posso começar a fazer a minha acusação real e objectiva sobre eles, sobre os seus "desabafos" e as suas intenções.
A intenção da coordenação nacional do bloco de esquerda, sempre foi a de atacar o PCP, com visto a roubar o eleitorado comunista, considerando na óptica deles que "é o alvo mais fácil", engraçado facto este, quererem derrubar aqueles que se prepõem efectivamente a querer construir o verdadeiro socialismo.
Depois a questão dos ataques constantes ao PCP e a países socialistas, tais como cuba, onde fazendo coro aos capitalistas e mesmo fascistas, criticam um regime socialista, hostilizado desde o primeiro dia pelos E.U.A. num embargo vergonhoso e destruitivo para com aqueles país e aquele povo, fazendo apologia do seu anti-comunismo feroz e primário.
Contudo, continuando esta critica, fundamentada, a "festa" continua, primeiro aquele exemplo do "sindicalista" Chora da Auto-Europa já referido aqui num artigo do blog, aquelas concessões que fizeram á entidade patronal, é como querer pedir esmola, quando os lucros não param de subir da entidade patronal, sacrificando direitos dos trabalhadores, em nome da dita competitividade que o grande capital não se cansa de apregoar, claramente que tudo isto se paga, já pagando agora os trabalhadores, vamos ver de futuro, o que nos reserva quando a fábrica fechar, para além do mais, que Chora, no discurso de despedida do Manuel Pinho, aquele horror de ministro, os elogios disseram tudo...
Continuando a saga, deste "fabuloso" bloco de esquerda a festa continua, falavam do sectarismo do PCP para com os seus militantes, da suposta falta de liberdade no interior do PCP, mas esquecem-se (talvez não estejam habituados a regras, leis, deveres) estatutários, onde como se sabe ninguém é obrigado a entrar para um partido, a filiação é natural e pessoal, portanto a filiação pressupõe que o indivíduo concorde com a matriz ideológica e programática do partido em questão, logo que não esteja de acordo, pode sair do partido e entrar para o "cardápio" de partidos que ai existem, sem querer fragmentar e dividir a unidade do partido, mas logo eles, que na questão da Joana Amaral Dias, aliás péssima politica, muito pouco preparada, também ela de direita, não esqueço o seu apoio a Soares, que diga-se não fica distante nem um bocado da questão de Manuel Alegre, outro anti-comunista feroz, deputado na A.R. que sempre suportou os governos de direita do partido socialista, como logo ficaram nervosos, a excluíram num bom "Maoísmo" onde a retiraram propositadamente de um vídeo elocutivo daquela "suposta" luta que eles travam.
Depois passada esta ressaca do apoio a Manuel Alegre, onde eles procuram desesperadamente colar-se a uma estratégia que tenta ser a "VENCEDORA", querendo penso eu, dizer depois, dos resultados que foram "obra deles", apoiam aquele que não sossegou enquanto os governo de Vasco Gonçalves não fosse derrubado, para instalar o do Pinheiro de Azevedo (triste espectáculo na época diga-se) isto entre enumeros episódios recambolescos, do Manuel Alegre.
Continuando esta saga, tenho a frase de uns jovens bloquistas, que dizem tudo, um primeiramente disse, que quando acaba-se a licenciatura, visto que a dele em privada é de "mérito", dizendo-se do bloc, tendo sido até candidato pelo bloco, pronunciou num jantar, que "eu vou chular a segurança social até dizer chega", pois, está tudo dito, querer "chular2 um sistema fragilizado pelos governos de direita, sendo "chulado" indevidamente por cidadãos que se aproveitam das falhas do sistema, inseridos na estratégia até partidária diga-se de passagem, é bem revelador do que as pessoas do bloco são.
Contudo não ficamos por aqui, a festa continua, outro dia visitando um amigo meu de Barcelos em Coimbra, fiquei siderado com a afirmação de outro dirigente bloquista Coimbrense, em que afirmou em público, que o objectivo do Bloco de Esquerda é ser o novo partido socialista de Portugal.... Confessam e bem as verdades estes rapazes...
Depois uns preocupados com Cuba, recebendo eu o email, como recebi de um jovem, muito jovem mesmo, verde em tudo, até na inteligência, eu não resisto a os designar de bons burgueses, bons na direita, sem dúvida alguma, pois nunca se sabe, eu até me antecipo, não vão eles falar na tal Républica Democrática da Coreia Do Norte, que eles dizem ser comunista, embora a ignorância enfim, não escolha pessoas, porque o partido chama-se "Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte"~, ao invés de partido comunista, eu termino com a provocação, de onde estão as eleições internas para a designação das concelhias de Barcelos no bloco? Onde se realizaram? Quem votou? Quantos eram? As actas? Talvez quem as tenha feito, tenha sido o candidato em 2005 pelo bloco de esquerda, que depois se candidatou pelo P.S.D. nas de 2009.
Ou melhor, falando da "Coreia de S. Martinho", pois deve ser essa que eles falam "a esquerda moderna, plural e democrática", onde a familia todo do dirigente local se candidatou por uma freguesia...
Afinal as monarquias existem, e dizem-se de esquerda....
Tenham Vergonha meus senhores....

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Ilha dos Pinguins volta á carga (ensaio sobre a prostituição intelectual)


Depois de uma leitura fascinante, sobre esta obra rica e diversificada, com uma obrigação clara, para quem a lê, de paciência, mas também uma considerável cultura geral, pois entender processos teológicos exige conhecimento das razões éticas e religiosas, posições defendidas pela igreja, as suas determinações e ambições em ser classe possidente, mas não somente isso, também a obra carece motivação, também de entendimento sobre história da humanidade, nomeadamente da história dos poderes religiosos, militares e políticos, bem como dos preconceitos morais e intelectuais.
Com isto podemos passar á obra, e a uma critica á medida se impõe, nestes tempos de confusão entre liberdades de expressão, de moralidades, de confusões e de pensamentos, mas isto para os que ainda que por conhecimento, se debruçam na critica ao que é a luta da humanidade, fazendo jus da sua classe dominante, a defendendo por natureza, algo que naturalmente não me identifico.
Para Anatole France para quem não sabe e faz questão de não aprender com a wikipédia, daquela que o governo actual se preocupou ( isto porque talvez o governo e o séquito aprendam o Portugûes numa qualquer "nova oportunidade")seu verdadeiro nome era Jacques François A. Thibault. Esse antigo leitor, bibliotecário e crítico literário de grande sucesso, membro da Academia Francesa desde 1896, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1921. Muito influenciado pelo racionalismo radical de inspiração humanista, condenava todo o dogmatismo e toda a especulação filosófica. Com o romance O Caso Crainquebille (1901) envolveu-se no Caso Dreyfus, defendendo a reabilitação do oficial judeu Alfred Dreyfus, condenado injustamente. Anatole France é autor de sugestivos romances históricos como Tais (1891) e Os Deuses Têm Sede (1912), sobre a Revolução Francesa, assim como a biografia Vida de Joana d'Arc (1908). Outros romances de destaque são: O Crime de Silvestre Bonnard (1881) e A Ilha dos Pinguins (1908). No ano de 1922 a Igreja católica pôs sua obra no "Índex" por criticar a sociedade e a Igreja. Anatole France filiou-se ao Partido Comunista no início dos anos 20.
Claro que nos tempos que correm se Anatole fosse vivo, não sei se não teria que escrever uma Arquipélago dos pinguins, porque por ai, andam milhares de ilhas, daquelas que povoam mentes, predominam em mentes, porque o obscurantismo e má fé de hoje, não estão distantes dos tempos da idade média, dos autos-de-fé, dos "índex" em que escrever é algo perigoso, se contudo para isso a desonestidade intelectual seja imperativa.
Claro que também em outra hipotese, poderia ele ser processado, (com certa ironia minha), porque podera eventualmente saber que a origem da Ilha dos pinguins é algo que seja "mau" para alguns pinguins, não sei de daqueles da "Argentina" nas pampas que fugiram da SGM (segunda guerra mundial) e fundaram colónias de sobreviventes nazis, se daqueles democratas espalhados por ai, porque como se dizia no livro ""Quando o baptismo dos pinguins foi conhecido no Paraíso, não causou nem alegria nem tristeza, mas uma extrema surpresa", adaptando a uma ideia minha, seguramente de que anda por ai muito Homem que enfim, de democrata tem tanto como eu de fascista.
Contudo, nunca será demais lembrar, uma vez que nas "vogues" de hoje, se fala em direitos de autor, nas não-coincidências, dos registos escritos, para não confundir pensamentos, relembra-se que a Ilha dos Pinguins, talvez na óptica dos que representam o Portugal velho, mas que não têm lugar neste Portugal de novos, que querem um novo Portugal, porque a questão é mesmo, um livro comunista, pois foi feito por um comunista, logo nas mentes "democráticas" não pode ser lido.
Porque eventualmente o crime será coisas como comer, reproduzir-se ou defecar passarão a ser alvo de restrições, tabus, códigos... nada voltará a ser simples e natural como dantes.
Ao longo destas páginas vamos poder assistir ao crescer e desenvolver de uma comunidade humana e perceber o ridículo de certas convenções e as origens de muitas perversões e iniquidades da sociedade ocidental. A religião é duramente criticada e os seus santos e milagreiros desmistificados. Não escapam também à crítica nesta sociedade de Pinguínia as proibições culturais, as origens da propriedade privada ou da nobreza.
Um “pinguínico” caso Dreyfus, paradigma da injustiça e anti-semitismo camuflado da sociedade francesa de finais do século XIX, é também longamente dissecado por Anatole France. São várias, aliás, as situações que facilmente poderemos reconhecer e comparar com os dias de hoje.
Claro que eu democrata como sou. não termino com proibições, negações, frustações, mas com sorrisos, porque vou utilizar um excerto novamente do Anatole para terminar:

Em Inglês: "The law, in its majestic equality, forbids the rich as well as the poor to sleep under bridges, to beg in the streets, and to steal bread."
"I prefer the errors of enthusiasm to the indifference of wisdom."
"If fifty million people say a foolish thing, it is still a foolish thing"

Em Português sognifica:

"A lei, na sua majestosa igualdade, proíbe os ricos, assim como os pobres de dormir embaixo de pontes, de mendigar nas ruas e roubar pão. "
"Prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria."
"Se cinqüenta milhões de pessoas dizem uma coisa tola, ainda é uma coisa tola"

Voto nisso: Miguel César Capelo Leite De Sousa

domingo, 28 de março de 2010

União Europeia fracasso anunciado



A criação da moeda unificada foi fruto de uma trajectória política para criar um mercado realmente único na Europa. Como tal, remonta ao próprio Tratado de Roma, que criou em 1957 a Comunidade Económica Europeia (CEE), predecessor da actual União Europeia. Só em meados dos anos 80 os governos aprovaram o Tratado de Unificação Europeia, que teve como meta a complementação do mercado interno comum até 1992, garantindo a livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas. A intensificação da unificação tinha por objectivo preparar a Europa para os novos tempos e enfrentar a competição com o Japão e os EUA. As empresas reagiram rapidamente com a abertura total das fronteiras e iniciaram um processo de reorganização já caraterizado por uma onda de aquisições e fusões. Os trabalhadores começaram a sentir cada vez mais esvaziados seus espaços de negociação nacional e o peso do desemprego crescente. A Inglaterra, durante o governo Thatcher, se opôs a qualquer regulamentação da questão social usando seu poder de veto. Em 1992, o Tratado de Maastricht definiu os critérios e metas para a próxima fase da unificação, que deve remover a mais decisiva barreira para a criação de uma economia integrada em escala continental, como a dos EUA: a União Monetária Europeia.
Já existia desde 1979 o Sistema Monetário Europeu (SME), mas este se restringia a controlar as flutuações entre as moedas, ou seja, deveria ajudar na coordenação da actuação dos respectivos bancos centrais e não substituí-los. Ataques especulativos e problemas económicos nacionais colocaram várias vezes o SME em crise.
O Tratado de Maastricht estabeleceu quatro critérios de convergência: defices público abaixo de 3%; dívida pública menor de 60% do PIB; inflação no máximo 1,5% superior à media dos três países com menor índice de inflação; e taxa de juros a longo prazo não mais de 2% superior à média dos três países com a menor taxa. Sem dúvida foi o primeiro critério que mais teve impacto, exigindo dos governos nacionais um grande esforço de austeridade fiscal e criatividade contábil. Isso criou não só resistências como também bastante cepticismo em relação à capacidade de manter o organograma. Na fase de formulação e implementação surgiu uma tensão entre a França e a Alemanha. Na própria escolha do presidente do Banco Central Europeu houve uma disputa entre o candidato apoiado pelo governo alemão, o holandês Wim Duisenberg, e o candidato do governo francês, Jean-Claude Trichet, actual presidente do Banco Central Europeu.
A grande preocupação era trocar o marco alemão, considerado estável, por um euro enfraquecido exposto a pressões inflacionárias. Por isso a Alemanha insistiu na visão de um banco central independente, ao passo que na tradição monetária francesa o banco central sempre segue as directrizes da política. O governo alemão insistiu também numa interpretação rígida dos critérios de Maastricht e além disso exigiu a adopção do Pacto de Estabilização, que implica sanções quase automáticas para os países que porventura o descumprirem depois de ingressar na União Monetária Europeia. Com isso ficou claro que não existiu margens para políticas económicas nacionais, mesmo quando não existirem ainda mecanismos em nível europeu de compensação ou intervenção para lidar com os possíveis problemas causados pela grande diversidade das economias envolvidas.
O Pacto de Estabilidade, aprovado na Cúpula dos chefes de estado da UE em Amsterdão, prevê multa de 0,1% sobre o PIB por ponto acima do limite de 3% do défice público. Existe uma sensação generalizada nos demais países da UE de que o projeto alemão seria levar a Europa a aceitar que o euro e o BCE fossem apenas uma nova versão do marco e do Bundesbank: a política económica monetária imposta seria a imagem das rígidas políticas do banco alemão. A insistência do presidente do Bundesbank, no Pacto de Estabilidade, fez o ex-chanceler socialista Helmut Schmidt enviar uma carta aberta acusando-o de parecer "autoritário e dominador". Crítica forte neste sentido, Jean Pierre Chevenement, em entrevista ao Wall Street Journal: "O que a Alemanha não conseguiu em duas guerras mundiais, a hegemonia continental, está em vias de conseguir através de recursos financeiros em nome do livre mercado e de uma visão tecnocrática da Europa". Mas, de acordo com pesquisas de opinião, a própria população da Alemanha não viu nenhuma vantagem na unificação da moeda.
A consolidação do euro afectou a estrutura dos mercados financeiros internacionais de forma substancial e irreversível. Uma das mais instigantes mudanças no cenário internacional provocada pelo euro foi o fim do monopólio do dólar como moeda de reserva que ajudou os EUA a acumularem tranquilamente enormes deficits comerciais. O excedente acumulado pelos exportadores japoneses, por exemplo, volta aos EUA por intermédio da compra de títulos de valores norte-americanos. Se o euro conseguiu suficiente confiança, estas posições em dólares podem ser substituídas por euros. Não só os governos, mas também empresas e indivíduos teriam uma forte alternativa ao dólar nas suas opções de investimento. Ao mesmo tempo, a participação da UE no comércio internacional é um pouco superior à dos EUA e há de se esperar que parte do comércio da UE com países de fora passará a ser expressa em euro, substituindo o dólar. Bancos centrais de todo o mundo passarão a deter parcela relevante de suas reservas em euro.
Lembramos que o dólar conseguiu se impor como moeda de referência atrelada ao ouro nos acordos de Bretton Woods, em 1944. A força da sua hegemonia permitiu-lhe implodir este sistema do padrão ouro em 1971 sem que o dólar perdesse sua posição, dando início a todo o processo de liberalização dos fluxos cambiais que chegou, nos dias de hoje, a volumes incontroláveis. Há ampla utilização do dólar por parte de outros países, bancos e empresas não-americanos. A importância do dólar como moeda de transacção internacional excede o peso dos EUA no PIB mundial, hoje pouco superior a 25%. O dólar envolve 4/5 do total das transacções cambiais e mais de 60% das reservas de bancos centrais no mundo estão em dólar. Os EUA conseguiram resistir tranquilamente à concorrência do iene japonês e do marco alemão. Hoje, o iene é a moeda de troca só em 5% das transacções comerciais mundiais. Se a queda do muro de Berlim acabou da noite para o dia com a bipolaridade político-militar, a consolidação do euro pode criar quase abruptamente uma bipolaridade monetário-financeira. Se isso se confirmar, é prevista uma tensão entre duas moedas rivais com riscos de crises, que por sua vez aumentarão ainda mais a demanda por mecanismos de cooperação monetária em nível internacional. Para a França, há um grande interesse no euro como forma de defender suas aspirações políticas de pôr fim ao monopólio do dólar. O país sempre se caraterizou por um consenso que ultrapassa as fronteiras dos principais partidos políticos na contestação da hegemonia dos EUA.
Os E.U.A. ainda é o país maior devedor do mundo, com défices crónicos na balança comercial e baixas taxas de poupança. Para competir com o euro na atracção de capitais para fechar as suas contas, o Federal Reserve Bank dos EUA pode aumentar os juros, o que complicaria a situação das economias latino-americanas caso elas mantenham o seu atrelamento ao dólar.
Primeiramente porque tirou do âmbito da especulação todo o mercado cambial interno da UE. Por outro lado, o euro supostamente é forte demais se comparado ao dólar e ao iene para tornar-se alvo fácil de especulação. Ao mesmo tempo, se prevê uma concentração dos mercados de capitais na Europa, criando um grande mercado de títulos em euro e proporcionando uma fonte mais barata e disponível de empréstimos de longo prazo.
O critério que proíbe que o défice público ultrapasse 3% do PIB significa automaticamente uma diminuição forte da procura por parte dos governos nos mercados de capitais, o que amplia o espaço para lançamento de papéis privados e procura de novos mercados fora da Europa.
Existe a expectativa de que o BCE será tentado a promover e proteger o euro não com a baixa, mas com a elevação dos juros, para encadear um processo de sua valorização gradual em relação ao dólar. Da mesma forma, o BCE será obrigado a manter grandes posições em dólares, considerando a necessidade dos fluxos comerciais até que o euro se consolide. Se se confirmar a valorização do euro em relação ao dólar, isso pode ser positivo para países latino-americanos com suas moedas atreladas ao dólar, pois poderão exportar em condições mais favoráveis aos mercados da zona do euro. Junta-se a isso o fato de que a unificação monetária criou um mercado mais facilmente penetrável para exportações. Surgirá grande interesse por parte dos países latino-americanos nos acordos comerciais que a União Europeia vem discutindo ultimamente com o México, a América Central e principalmente o Mercosul, que já dirige cerca de um quarto das suas exportações para lá.
Os grandes beneficiários serão sem dúvida nenhuma as grandes empresas multinacionais que operam nos mercados da União Europeia. Elas não terão mais custos de volatilidade cambial, não precisarão mais equacionar os activos e passivos da cada empresa em cada país. Sem o obstáculo de risco monetário, que inibia a expansão dos mercados de bónus das empresas europeias, elas poderão enfim captar recursos financeiros pela região, barateando seus custos. E mais: com o enfraquecimento do poder de intervenção dos governos nacionais e sem a existência de um contrapeso em nível europeu, se torna sempre mais fácil para as empresas se livrarem das regulamentações do poder público. Ao mesmo tempo, facilitou-se o campo de actuação de tal forma que há de se esperar uma nova onda de reorganização, com fusões e aquisições. Os produtos fisicamente transportáveis, especialmente os de pouca diferença em termos de gostos nacionais, vão ser negociados nos mercados de toda a Europa por um número relativamente pequeno de empresas operando em escala continental. A tendência será de eliminar a superposição de operações existentes. Prevê-se o fechamento de milhares de unidades. Um dos primeiros sectores que deve ser alvo de tal reorganização é o de serviços financeiros, trabalhando com uma só moeda. Talvez só dez grandes bancos prevalecerão neste processo. A revista Business Week publicou estimativas de fechamento de quase metade das 166 mil agências bancárias espalhadas pela UE. Isso envolve dezenas de milhares de postos de trabalho. Às vésperas da unificação monetária, as fusões para racionalizar as empresas já cresceram 48%. Vale ressaltar o forte preparo por parte das empresas norte-americanas operando na Europa para enfrentar este desafio. Neste contexto, explica-se a agressiva expansão para a Europa dos bancos de investimentos de Wall Street. O processo de fusões, aquisições e migração de empresas levará a uma ulterior pressão sobre a legislação social, a regulamentação trabalhista e os impostos, ainda sob domínio da política nacional.
Por intermédio do euro, as empresas estão conseguindo, de forma indirecta, impor as mudanças que sempre defenderam. Neste sentido, o euro vem sendo chamado de "cavalo de Tróia". Evidentemente, haverá uma grande pressão também sobre empresas com menor competitividade. A transparência de preços deve mudar o comportamento nos mercados. Os preços tenderão a convergir rapidamente, acirrando ainda mais a competitividade. Só para se ter uma ideia, hoje, apesar da livre circulação dos bens, o preço de um automóvel pode variar de país a país até 50% para o mesmo modelo.
O capitalismo na Europa, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, foi caracterizado por uma forte presença do Estado pressionado pelas forças sociais para equilibrar e domesticar as forças do mercado. Criou-se o famoso Estado de bem-estar social, hoje alvo de forte ataques políticos e ideológicos, em contraposição ao capitalismo mais selvagem dos EUA, cujo modelo económico está sendo projectado como a melhor forma de organizar a economia capitalista avançada. O que as forças do mercado não conseguiram por meio do debate político nacional estão conseguindo por critérios aparentemente técnicos e pelo Banco Central Europeu.
A moeda é um aspecto essencial da soberania e, portanto, um instrumento de governo e não somente de funcionamento do mercado. Em primeiro lugar, a unificação da moeda limita de uma vez por todas uma série de disposições dos governos nacionais para interferir no processo económico. Por exemplo, o uso de políticas cambiais para aumentar a competitividade ou o uso de deficit orçamentário no contexto de políticas keynesianas, visando o combate ao desemprego. A unificação monetária não cancelou as nações, mas anulou uma parte de sua soberania. Em tese, a soberania perdida em nível nacional poderia ser recuperada em nível comunitário, mas isso não faz parte do projeto.
É importante enfatizar que não é a unificação monetária que começou a erodir o poder de intervenção dos governos nacionais. A globalização dos mercados financeiros e o crescente poder das empresas multinacionais já exigem há tempo a transferência de poder político a um nível supranacional. Mas a União Europeia nem teria peso económico para isso. Hoje o volume do seu orçamento corresponde a 1,3% do PIB total dos 15 países membros. Bastante inferior ao orçamento federal dos EUA, de 30% do PIB.
Paralelamente, há uma incrível falta de infra-estrutura política ao lado do Banco Central Europeu. Ficou famosa a pergunta de Kissinger: "quando quero falar com a Europa, a quem devo me dirigir?". Será que hoje a resposta é "a Wim Duisenberg", este ilustre membro do Partido Social Democrata holandês, nomeado primeiro presidente do BCE com aval do governo alemão?
O euro é apresentado no contexto da abertura comercial, globalização e formação inevitável do Estado europeu. Mas não escapa a ninguém a falta de entusiasmo da população, que está mais preocupada com os 17 milhões de desempregados na UE. Pesquisas de opinião indicam que metade da população ainda não consegue imaginar o que está acontecendo. A revista Economist não exclui um fracasso da unificação monetária por se adiantar demais à opinião pública. Ainda que pareça tratar-se de um processo amadurecido desde o Tratado de Roma, em 1957, o euro aparece perante a população comum como algo imposto de cima.
Os sindicatos estão sendo envolvidos ainda mais na rivalidade económica entre nações e regiões. A luta pela competitividade se dará através do mercado de trabalho, já que todas as outras variáveis serão fixadas. Excluiu-se assim dessa lógica qualquer pretensão de se chegar a uma unificação salarial ou negociação em nível europeu. Pelo contrário, aumenta a pressão para maior descentralização da política salarial, concessões nas regras trabalhistas e negociações caso a caso. À medida que o capital se tornar mais móvel, o trabalho irá ficando na defensiva. Os próprios cortes orçamentários para atingir os critérios de Maastricht, envolvendo benefícios de previdência e saúde, já aumentaram a desigualdade de renda nos países envolvidos.
As elites europeias prometeram que a nova Europa conseguirá competir no mercado globalizado e com o tempo criará emprego. Na realidade, a aposta é criar emprego baseado em desregulamentação, trabalho informal e temporário. A palavra de ordem: "todos os poderes ao mercado".
Já a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) ficou perdida entre as declarações de boas intenções em relação à política social que obtém sempre como resposta por parte das autoridades da União Europeia, as possibilidades de acordos tripartite sobre moderação salarial, a flexibilidade do mercado de trabalho, a reorganização do Estado etc. De outro lado, convive com a cruel realidade da prática da política económica. Esta divisão se expressa sempre muito claramente à medida que não se consegue interferir nos acordos, como o Tratado de Maastricht ou o Pacto de Estabilidade, mas fica-se satisfeito com mais um anexo, ou declaração em separado. O anexo do Pacto de Estabilidade declara por exemplo que "é imperativo dar um novo impulso para manter decididamente o emprego em primeiríssimo lugar entre os temas da agenda política da União Europeia". Observa-se um contraste com a rigidez dos critérios adoptados pelas mesmas autoridades quando se trata de políticas de estabilização monetária ou políticas económicas restritivas!
Até quando se podem tratar os assuntos da pressão migratória como problemas da Justiça e não de justiça?

domingo, 21 de março de 2010

Perdoai-os Senhor, eles sabem o que fazem


Escolho este titulo, porque primeiro aprecio boa literatura, Sophia de Mello Breyner Andresen, numa citação que utiliza no seu poema "As pessoas sensíveis".
Segundo porque como eu penso assim, o pensamento é estruturado sob várias formas, vários princípios, que estabelecemos como padrões conscientes que nos orientam para a vida, para o nosso dia-a-dia.
É assim, como não poderia deixar de ser, conhecendo uma manifesta maioria católica praticante ou não, confesso que não preciso de me guiar pelos "princípios"que orientam tais "desígnios", primeiro porque na estrutura daquilo que eu defendo, esta seguramente nos antípodas da denominada clique que ao fim-de-semana, reza ao domingo de manha, num qualquer mosteiro, monumento, espaço religioso, mas que se esquece que ao estar presente do "senhor" (é que la estão vários, desde o que "come" a mulher do outro sempre que pode, aquele que não diz palavrões mas gosta de "fornicar" o primeiro consciente ou não que se diz alvo e imaculado mas que no fundo é tão podre, como a casta que lá tem andado a governar o espaço, no entanto uma coisa os caracteriza, manter o ar "cândido", escondendo no entanto o que por dentro lhe consome a "alma") que ele foi pregado por Romanos, talvez porque resistir ao império significa-se na época, libertar o seu povo da opressão e da exploração romana, defendendo justiça, liberdade, opinião, fraternidade.
Contudo já conhecendo essa "clique" á vários anos, "sábia", "justa", "fraterna", "não-radical", "não-extremista" (cuidado quando algum "rato" da sacristia te diz que o comunismo é radical, não sei se ele é conhecedor da história dos autos-de-fé, da inquisição, das caças ás "bruxas" ou da história no seu geral, visto que os milhões que eles "reformaram" serem apenas almas infiéis, daquelas que não são contabilizadas, porque primeiro vão á igreja não por consciência, mas porque o "obrigam", dai o "radical" ficar para aqueles que contemplam os seus mortos não em cruzes, mas na história dos três regimes que o comunismo em Portugal enfrentou, inclusive naqueles que os ratos de sacristia votam.
Contudo não iria acabar a provocação sem postar a propósito uma pequena "quote" em que sucintamente para quem não tem conhecimento (desde que nasceu talvez ate ao fim da vida) para melhor ficar ciente do "não-extremismo":
Advogados dos EUA, representando sobreviventes e parentes de vítimas do regime Ustasha, estão tentando processar, sem sucesso, o Banco do Vaticano por receptação e lavagem de dinheiro. O Banco receptou e lavou o dinheiro roubado pelos fugitivos do regime nazi-católico da Croácia (Ustasha) no final da 2GM, além de ajudar os Ustashas( Ante Pavelic, Dinko Sakic, Andrija Artukovic etc.) a fugirem para América do Sul, EUA etc. através das Ratlines.
O regime Ustasha – Estado “Independente” da Croácia (NDH, em croata Nezavisna Država Hrvatska) nasceu em 1941 graças à invasão nazi-fascista na Iugoslávia durante a 2GM. O Vaticano apoiou o regime de Ante Pavelic porque desejava um poderio católico nos Balcãs. O NDH (mistura de nazismo com inquisição católica) exterminou cerca de 1.000.000 de sérvios (cristãos ortodoxos), 60.000 judeus, 30.000 ciganos e milhares de opositores.
A cumplicidade da Igreja Católica com este regime sanguinário foi intensa, a ponto de padres liderarem conversões forçadas de sérvios, massacres e campos de extermínio (Jasenovac, por exemplo). A crueldade Ustasha era tão grotesca que chocava até mesmo os alemães e italianos, que tiveram que colocar um freio na Ustasha. O chefe religioso do NDH, cardeal Stepinac, foi beatificado pelo papa JP2 em 1998.
O assunto Ustasha é um grande tabu na grande media nacional e internacional, graças ao lobby da igreja católica. O “El País” da Espanha chegou a relatar em 1986 o atrito entre a imprensa oficial e a católica porque se discutia se o clero romano estava envolvido ou não com os crimes de Andrija Artukovic (ministro do NDH).
O Vaticano, após a queda do NDH, jamais admitiu qualquer responsabilidade, nem mesmo parcial, pelas atrocidades cometidas, nem mesmo um pedido de perdão. Em verdade, quando acusado, ele sempre negou qualquer conexão com o regime croata. Quando solicitado a expressar o seu repúdio pelos crimes cometidos pela Ustasha , prefere ficar em silêncio (um silêncio cúmplice). Nem mesmo o site oficial do Vaticano possui um texto repudiando as barbaridades do NDH. O papa JP2 nunca aceitou visitar Jasenovac, atitude compartilhada pelo actual papa Bento XVI.
Pois é que cuidado meus senhores, um dia deste eu vou reclamar a diferença entre mim, o meu pensamento e aqueles que "idolatram" este tipo de "regimes leves", "coisa pequenina e leve", assim como ceifar trigo, ceifar mortes é semelhante, só não se pode dizer que é "radical"...
Cuidado com o pensamento, hoje eu penso, sera que devo me misturar com este tipo de gente, para com me confundam com eles?
Parece-me adequado, porque o valor da humanidade e da liberdade, não se aprendem numa igreja, ou numa qualquer terra fascistazinha que limita porque se é diferente, ou porque numa faculdade ou secundária se tem professores e colegas (amigos é outra "souvenir" de direita cacique e reaccionária.
Por isso não me confundam, reflictam, e antes de me estenderem a mão, analisem o que são e o que representam, porque eu com "podridões" nunca me dei bem, já escolhi o meu lado, cada vez vou reclamando mais, logo chega a altura em que a consciência define quem esta com as pessoas, ou contra elas.
Contudo antes de terminar, porque findo aqui o assunto, não me apetece escrever mais, não porque não o saiba fazer, mas porque prefiro um artigo "rasca" meu, a artigos que enfim... a sanita seria a "biblioteca" adequada para alguns la porem os seus manuscritos.....
Termino com um verso do Sophia:
Sophia de Mello Breyner Andresen


As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
....

Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

domingo, 14 de março de 2010

Albino Almeida

Na qualidade de ex-aluno e ex-dirigente associativo estudantil do secundário, não resisto a dedicar um post aos estudantes do secundário de Barcelos, mas também a todos do secundário, visto que o presidente da confederação de pais, mais não tem sido que um lacaio do governo, papagaio das "reformas" que não são reformas nenhuma, mas enfim, tem sido pioneiro em mais um triste espectaculo de uma Ópera-bufa (como dizem os Italianos: divertimento giocoso) visto que as palavras deste homem ecoam como tal.... Só que o som não é agradável....
Ora reparem para além de ser o meso que um dia disse que as greves de professores deviam ser ao Sábado, porque durante a semana havia aulas, descendo quase ao nivel do semântico (estudo do significado, no caso das palavras, a semântica estuda a significação das mesmas individualmente, aplicadas a um contexto e com influência de outras palavras) do Professor Marcelo Caetano, quando dizia "pode-se pensar, desde que não se diga" muito "democráticamente" sem dúvida alguma, pois como se sabe o instrumento das classes em luta é sempre a pressão exercida sobre a classe que a possui, sendo lógico que assim seja, pois se as greves fossem ao fim-de-semana como a ex-ministra queria mas não disse, disse o seu fiel seguidor.
Mas mais ainda.... quando alguém defende uma reforma que visa destruir o sistema de educação, baseado numa avaçiação burocrática, totalista e digna de hipocrisia, que moral tem?
Os professores são inimigos? Os alunos são inimigos? Então vejamos as seguintes perguntas, com as seguintes respostas:
Os profissionais do sector também podem apresentar propostas?
Podem, desde que o façam baixinho e de preferência caladinhos.
Existem medidas significativas para a educação no ECD?
Existem várias medidas muito significativas que se centram em dois temas
fundamentais: reduzir e aumentar.
Reduzir e aumentar??? Isso não é contraditório?
Não! Nada!
Reduzir professores, reduzir o número de contratados (para o ME não são
professores) reduzir a possibilidade de ter carreira, reduzir a progressão na
mesma, reduzir salários, reduzir direitos elementares como o de estar doente,
reduzir o tempo de preparação de aulas, reduzir o tempo para os professores
se actualizarem, reduzir o tempo para concertarem estratégias e
procedimentos, reduzir a possibilidade de ser bom professor, reduzir a
imagem do professor à imagem de pária social, reduzir o papel do professor
na escola que passa a ser um faz-tudo baratinho, reduzir os professores a
executantes de medidas a metro com a lógica do milímetro, reduzir o
estatuto e o prestígio dos professores (afinal eles são os pais e as mães dos
males da escola) reduzir a despesa/investimento na educação a um nível
digamos…. muito reduzido.
Então o que é que vai aumentar??
Aumenta o trabalho com menos salário, aumentam as horas lectivas
disfarçadas de actividades educativas, aumenta a idade da reforma, aumenta
o número de desempregados, aumentam os despedimentos, aumenta a não
contratação de docentes, aumenta o trabalho escravo que permite isto tudo,
aumenta a quantidade de tarefas exigidas aos professores, aumenta o
disparate na avaliação dos docentes (aberta a tios, primas e outros familiares
em quarto grau) aumenta a impossibilidade de se ser excelente dada a
multiplicidade de tarefas diferentes exigidas, aumenta a falta de tempo de
preparação para isso tudo, aumenta a exigência de excelência com condições
de demência, aumenta a tentativa de levar à prática o adágio “querer ópera
séria pelo preço da ópera bufa”, aumenta a impossibilidade de progressão na
carreira, aumenta a manutenção de muitos dos professores em condições
salariais de saldo, aumenta o desprestígio da profissão (essa a intenção),
aumenta a escola dos desmotivados e paralisados, aumenta o nível de loucura
para um nível… aumentado.
E não se cria nada de novo?
Sim, seguramente! Cria-se poupança imediata e irracional, cria-se a breve
trecho a escola pública manhosa, onde ninguém quererá leccionar, cria-se um
sistema de precariedade onde ninguém quererá estar…
Ainda há quem queira ser professor??
Sim há! Os excelentes professores que estão no ensino e que já eram
professores antes de a ministra ser ministra, e que continuam a ser
professores enquanto a ministra continua surda, arrogante e prepotente.
Mas a educação não é importante para o país?
É muito importante, até os responsáveis dizem o mesmo, mas fazem tudo
para que não seja, e desconsideram os seus profissionais para que a sua
profissão seja subvalorizada.
Isso não é um paradoxo? O que é um paradoxo?
Um paradoxo é tudo isto…!
E é apenas isto?
Não!! É conhecer pessoas que dizem que isto é bom!
Mas como se ainda não bastasse a melhor de todas as propostas para a educação são as que defendem que os pais vão estar mais tempo na escola, que têm que acompanhar e "supervisionar" a escola, quando as entidades parasitárias deste país querem aumentar as horas de trabalho dos nossos pais.
Sim é preciso educação, mas não a queremos receber de Albinos assim, tão albinos que nada que não seja o branco-vazio.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ao Magno

Tristes palavras tenho de escrever aqui, neste espaço, amargura e tristeza em mais uma partida de um irmão da casa, Magno de seu nome, em tudo, em estética e conteúdo, grande nos actos e na coerência, escolher a palavra Amigo não é uma palavra vã, é uma palavra sentida e uma justa homenagem ao amigo, ao Mor, ao "bombeiro" (que muitos fogos apagou, muitas soluções de compromisso solucionou) e também ao seu carácter firme e vigoroso.
Nesta hora escolher palavras não é fácil, é uma perda que jamais se recupera, por maior que seja a vinda de um futuro irmão, ninguém é insubstituivel, mas também não existem pessoas iguais, dessa forma, a tua perda é irreparável...
Sinto muito por pessoalmente mais uma vez nos afastar-mos um do outro, no entanto a amizade continuara forte e sincera e sentida.
Sei que não gostas de cultos da personalidade, és como eu, a forma de estar numa multidão sem ser sentido mas sentir é uma sensação boa.
E aqueles momentos que passamos em casa...? as Noitadas.... As patices, as pumices, as passarices, as mirtilhadas, as narutices, as sarcotices (mostrando o sarcote) as captainices, agora mais recente o baton (prefiro lipstick desculpem) as libertinagens, as putarias, as rockarias, as entradas á senadores romanos no noites longas, e todas as demais histórias que SÓ REALMENTE QUEM AS VIVEU E SENTIU SABE DO QUE FALO!!
Não foi agradável, foi bom demais e é o "problema" é que é verdade devo confessar.
"Arquitecto da casa no presente", "Engenheiro" do futuro desta, projectando-a para nós, como outros o fizeram para ti e assim sempre anteriormente, com vista ao ulteriormente, tu passas-te o testemunho, as gerações passaram, mas esta continua, forte e coesa, sob tua batuta também, como outros PUNGUYNS desde sempre.
Como não poderia deixar de ser não poderia deixar de prestar em meu nome, a mais sentida homenagem e assumida honra de ser teu irmão nesta inigualável ré-pública, desejando-te do fundo de todos os corações a maior felicidade do mundo, as maiores realizações, as maiores alegrias, as maiores emoções de felicidade, os melhores momentos, os mais saborosos, repletos de muito carinho e muita ternura daqueles que te são queridos, e de todas as donzelas por estes continente fora, outrora colonizadas por Portugal, mas libertadas pelos PYNGUYNS, que tudo seja e assim o será convictamente para ti Magno Alexandre Neiva!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Um enorme abraço para ti meu irmão, um bem-haja para ti sempre onde quer que estejas.

Razões de sobra para festejar

Em 1910, a Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, aceitou a proposta de Clara Zetkin,
de declarar o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora em 8 de março quando, em 1857, 129 operárias da empresa têxtil Cotton de Nova York morreram queimadas
em um incêndio provocado pela patronal como resposta às reivindicações de suas trabalhadoras.
Assim nasceu o dia 8 de março, como dia de luta da mulher trabalhadora e de homenagem às mártires.
Mas ao longo dos anos foi sendo desfigurado pela burguesia, que o converteu num dia dedicado a realizar a “irmandade das mulheres”. Assim, a cada 8 de março, desde a ONU, governos, meios de comunicação e as grandes empresas, se fazem hipócritas homenagens à mulher e se nos quer fazer crer que a opressão é coisa do passado, porque hoje as mulheres são Ministras, Secretárias de Estado, Juízas, Presidentas.
Vejam-se os factos:
- As mulheres somam 70% dos 1,3 bilhões de pobres absolutos do mundo. Isto é assim, mesmo que, segundo dados da ONU, o trabalho da mulher tenha um papel de primeira ordem já que entre o 50% e 80% da produção e comercialização de alimentos está em suas mãos. - o trabalho não remunerado da mulher no lar representa um terço da produção econômica mundial (ONU).
- Das mulheres em idade de trabalhar (fora do lar), apenas o fazem 54% contra 80% dos homens (OIT).
- As mulheres desempenham a maior parte dos trabalhos mal pagos e menos protegidos (OIT).
- As mulheres ganham entre 20% e 30% menos que os homens (OIT).
- Aumentou notavelmente o número de mulheres que emigram a diferentes países da Europa e aos EUA, tanto legal como ilegalmente, na busca de emprego. Estas mulheres imigrantes são as que mais sofrem a superexploração e todo tipo de abusos.- No nível da educação, 2/3 dos 876 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Ao cumprir os 18 anos as garotas têm em média 4,4 anos menos de educação que os homens da mesma idade. Dos 121 milhões de crianças não escolarizados no mundo, 65 milhões são meninas (ONU, Unicef).- No nível da saúde, a cada ano morrem no mundo mais de meio milhão de mulheres como consequência da gravidez e do parto, o que está diretamente relacionado ao nível de pobreza. Nos países de terceiro mundo a taxa de mortalidade materna é de um a cada 48 partos.
- E esta deplorável situação chega à sua máxima expressão quando vemos os dados sobre a violência contra a mulher. A cada ano, pelo menos 2 milhões de meninas entre 5 e 10 anos são vendidas e compradas no mundo como escravas sexuais.
-A cada duas horas, uma mulher é apunhalada, apedrejada, estrangulada ou queimada viva para “salvar” a honra da família.
- Durante os conflitos armados o ataque aos direitos humanos da mulher (assassinato, violação, escravidão sexual e gravidez forçada) é utilizado como arma de guerra.
- No mundo, 135 milhões de meninas e mulheres sofreram mutilação genital. A cifra aumenta em dois milhões por ano. Segundo dados do Banco Mundial, pelo menos 20 por cento das mulheres do mundo sofreram maus tratos físicos ou agressões sexuais.
Feliz Dia da Mulher.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Memórias de um ps desconhecido: Um post diferente para algumas pessoas com dúvidas

Este post é diferente dos outros, não é escrito pelo autor Sacramine (jonhy para camaradas e amigos) mas tem uma dedicatória especial, para os socialistas, em que me dedico apenas a fazer plágio de algumas citações deste belo livro que teima em não sair uma segunda edição, contudo quero fazer uma dedicatória especial ao homem que me deu a conhecer este livro Alvaro Cunhal aquando de uma leitura de um livro seu, dedicado aos corajosos e abnegados Portugueses que não desistem de colocar Portugal definitivamente no seu lugar, fora das garras de Ingleses, Espanhois e Estado-Unidenses, de sermos verdadeiramente patrióticos.
Mas também o dedico a uma amiga minha (pela sua defesa do campo "socialista democrático" e também pela sua defesa de Santo Sócrates).
A todos aqueles que vivem e resistem a isto que nos fazem passar .

«Entretanto, o tempo se encarregaria de revelar novos episódios em matéria de financiamentos. Vinte anos após o 25 de Abril, ao ser preso por alegado desvio de fundos públicos, o ex-presidente da Venezuela, Carlos Andréz Perez, declararia que uma parte desses fundos teria sido entregue a Mário Soares. Foi a primeira vez que eu ouvi falar do assunto, que foi confirmado à Agência Lusa por uma fonte não identificada do Palácio de Belém («Público», 22/05/1004). (…)Os trabalhos [do I Congresso do PS depois da Revolução] iniciaram-se com a leitura de um telegrama de saudações enviado por Mário Soares ao Presidente da República Costa Gomes. O mesmo, segundo os joranis da época, foi vibrantemente aplaudido de pé pelos congressistas. Logo no início foi aprovada uma moção subscrita por Manuel Serra e Maria Barroso em que se afirmava que «o PS defenderá o modelo constitucional democrático que melhor consolide a aliança do Povo e das forças democráticas com o MFA. Depois, tendo em conta que a ratoeira comunista passava por sensibilizar o seu conhecido egocentrismo, Mário Soares foi reconduzido na Secretaria-Geral sem qualquer oposição, o que já não aconteceria com a orientação do Partido. PAra a Comissão Nacional, Manuel Serra não preconizou tal unanimidade e, depois de uma autêntica guerra campal, a lista da direcção histórica do Partido sairia vencedora pela escassa margem de 94 votos, tendo a lista de Manuel Serra obtido quase 44% dos votos dos congressistas. O nome de Mário Soares aparecera nas duas listas concorrentes, por ordem alfabética na lista da direcção histórica e à cabeça da lista que o PCP promovera por meio de Serra. Aliás, só por milagre Mário Soares não sairia daquele Congresso como secretário-geral de dirigentes afectos a Manuel Serra e ao Partido Comunista. A confusão era tanta que ninguém se entendia e os organizadores do Congresso, predominantemente pró-Serra, que, vale a pena repetir, Soares encarregara da Segurança do Partido, utilizariam todos os meios de coacção e até força para impedir os «históricos» de exprimirem a sua voz e o seu voto. Eu próprio, que para além de fundador, fazia parte da Comissão Directiva vigente e era delegado em representação do núcleo de Malmoe na Suécia, fui inicialmente pura e simplesmente impedido de entrar no local do Congresso. Só depois de umas boas horas alguém conseguiu encontrar Manuel Tito de Morais no interior para vir à porta obrigar os «gorilas» a deixarem-me entrar.As relações entre os «militantes» socialistas estavam longe de ser solidárias e nem sequer primavam pela boa educação. Era o resultado da invasão ocorrida no PS, após o 25 de Abril, de todo o tipo de novos militantes. Com isso mesmo tinha também contado o PCP. No final, ainda insconsciente do que ali se tinha passado, Soares afirmaria que não tinha havido «vencedores nem vencidos» mas apenas «socialistas e camaradas». . Provar-se-ia bem pouco depois, já em Janeiro de 1975, que assim não era. Aliás, Manuel Serra advertira já no seu discurso final, com a arrogância de quem quase conseguira o que se propusera, que saía do Congresso «com a fraternidade de militantes revolucionários, de militantes da classe trabalhadora». O primeiro Secretariado Nacional, eleito em 21 de Dezembro, ainda incluiu Manuel Serra que, contudo, abandonaria o Partido poucos dias depois, na esperança de levar consigo os «44% de militantes revolucionários, da classe trabalhadora». Se tal não aconteceu deveu-se, com grande grau de probabilidade, à visão de Francisco Salgado Zenha. Mas o Partido Socialista nunca recuperaria totalmente da psicose do golpismo que se iniciou log após o 25 de Abril e de que o I Congresso na legalidade seria um bom primeiro exemplo. Passaria a fazer parte da própria evolução e história do movimento socialista português.»

Mário Soares ia, entretanto, aproveitando algumas das suas viagens enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros para angariar alguns fundos para o PS. Mas, apesar de alguns contributos iniciais dos partidos sociais-democratas escandinavos, do SPD e de uma campanha de angariação de fundos lançada na Holanda pelo PVDA (PArtido Trabalhista), os apoios financeiros estavam longe de ser o que muitos imaginavam e se insinuava. Segundo consegui apurar, o movimento sindical noruguês deu pela primeira vez ao PS, em Maio de 1974, após visita a Oslo de Francisco Ramos da Costa, cem mil coroas norueguesas. E demonstrando os seus bons contactos internacionais e capacidade de angariação de fundos, também o PSD da Dinamarca forneceria cinquenta mil coroas enviadas através do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.(…)Pelos meus cálculos, com base na pesquisa informal que eu próprio faria posteriormente, deduzi que, em 1974, o PS não recebeu de partidos «irmãos» montantes significativos e nem de longe minimamente comparáveis aos que os serviços de informação americanos afirmavam o PCP estar a receber! Aliás, só o secretário-geral sabia exactamente quanto e de onde recebia o dinheiro, sendo certo que, na prática portuguesa, o controle financeiro dos partidos está intimamente ligado ao controle do próprio partido. Não admira que este tipo de informação permaneça fechado e que as leis da chamada transparência, aprovadas pelos principais partidos políticos, permaneçam ainda hoje tão opacas!


«Corriam rumores entre os exilados de que Mário Soares só não aceitara o convite do director de campanha de Marcello Caetano, Guilherme de Mello e Castro, para integrar as listas da ANP, em 1969, porque pretendia a garantia de um lugar no governo.O fundador da ASP e primeiro líder do movimento, Mário Soares, reconhece para ele próprio a influência do socialismo humanista e cooperativista de António Sérgio e até o pensamento estalinista do seu antigo professor, Álvaro Cunhal. A verdade é que, contrariamente ao que acontecia pelo resto da Europa, e até na vizinha Espanha com o Partido Socialista Operário fundado por Pablo Iglésias, em Portugal, a Acção Socialista, primeiro, e o Partido Socialista, a partir de 1973, para além dos textos de Mário Soares que iriam sendo «oficializados», nada têm que ver com os grandes movimentos socialistas da classe operária do fim do século dezanove.A precursora do Partido Socialista não tinha qualquer passado histórico. Nascera na década de 60 um pouco como quem regista uma patente por iniciativa de um grupo de conspiradores de «operações»,a sua maioria ligados à Maçonaria, e de alguns teóricos influenciados pelo PCP, como foi o caso de Salgado Zenha e do próprio Vitorino Magalhães Godinho.A evolução teórica do movimento, mais de três décadas após a sua constituição, é assim essencialmente caracterizada mais por razões empíricas de conveniência dos seus operacionais do que pelasteses dos seus «ideólogos» ou pelos princípios doutrinários que emanam do socialismo democrático. Esta caracterização, que viria a ficar célebre quando o líder da oposição, Francisco Sá Carneiro, acusou o então primeiro-ministro Mário Soares de «metero socialismo na gaveta» com a finalidade de se manter no poder através de uma coligação com o partido democrata-cristão, CDS, verifica-se frequentemente na prática seguida desde 1964. Seria mesmomotivo de algum desdém por parte dos sociais-democratas norte-europeus que consideravam verdadeiramente ridícula a constante necessidade de demarcação dos socialistas portugueses em relação à social-democracia, a cuja familia queriam pertencerembora afirmassem ser socialistas democratas e nãosociais-democratas. Era um maneirismo influenciado por François Mitterrand,que a Internacional Socialista considerava uma expressão de retórica e pura hipocrisia, com o objectivo de parecerem mais progessistas aos olhos do mundo. Era aliás um sintoma típico do Sul da Europa, que um proeminente político norte-americano, anos mais tarde, comentaria com ironia, em termos semelhantes aos de Sá Carneiro.Mas não obstante a «subtil» distinção e a demarcação progressista dos seusprincipais dirigentes, a verdade é que a adesão dos socialistas portugueses à Internacional Socialista representa o ponto mais alto do movimento no período que antecedeu o 25de Abril de 1974. Na história do PS, a suafiliação internacional sobressai destacadamente da manifesta «probreza» do seu passado. O PS, «sobrevivente apagado dos anos 30, que não resistiu,como organização autónoma, à repressão e clandestinidade, queno final da Segunda Grande Guerra era constituído apenas por um pequenogrupo de abencerragens, sem qualquer influência real no País».


João Soares perdeu a Câmara de Lisboa, entre outras coisas, por chamar fascista e salazarista a Santana Lopes e ao PSD. 8 anos depois, demonstrando que não aprendeu com a derrota, volta à carga e apelida Manuela Ferreira Leite de «a outra senhora», fazendo uma clara analogia com Salazar. Tem sido, de resto, a tónica da campanha do PS: atacar pessoalmente Manuela Ferreira Leite e associá-la à Ditadura. Pode ser que a estratégia lhes corra mal. Ainda por cima, não me parece que o Partido Socialista possa dar grandes lições de democracia seja a quem for. Enquanto Álvaro Cunhal apodrecia na prisão até conseguir fugir para uma vida dura no Leste, e Sá Carneiro (nos últimos dias tão louvado pelo PS) lutava no interior do regime pelas condições dos presos de Caxias, Mário Soares vivia de forma desafogada em apartamentos caríssimos de Paris. Pagos certamente pelo influente banqueiro Manuel Bullosa, um dos maiores empresários portugueses da Ditadura, que o empregara como consultor num dos seus Bancos. Quem tem este passado não pode abrir a boca para falar do PSD ou de qualquer outro Partido.
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«A editora Perspectivas & Realidades, hoje propriedade de João Soares, foi constituída por escritura notarial de 24 de Setembro de 1975, com um capital de 300 contos dividido em partes iguais entre João Soares e Victor Cunha REgo. Era inicialmente co-dirigida por Bernardino Gomes e Ivone Cunha Rego, sendo o seu primeiro lançamento «O Triunfo dos Porcos», de George Orwell. Mas quando este conhecido livro foi publicado, já o PCP estava em declínio e as «P & R» acabariam por se transformar essencialmente, nos anos seguintes, na editora dos livros sem mercado dos principais dirigentes do PS, com destaque para os de Mário Soares. (…)
No seguimento da Conferência de Estocolmo, aumentaram as delegações que vieram a Portugal exprimir o seu apoio ao PS, sendo os apoios financeiros normalmente canalizados através da já referida conta na Holanda. Por vezes, contudo, o dinheiro vinha das maneiras mais improvisadas, tendo eu assistido, em casa de Tito vde Morais, a uma entrega por parte de uma delegação sueca que acabara de chegar e que, de repente, começou a triar maços de notas dos bolsos de cada um dos membros da delegação. Nessa altura ainda Carlos Carvalho era tesoureiro do Partido, mas era assessorado por José Manuel Duarte. A partir de certa altura, Carvalho, que fora fundador do PS em Bad Munstereifel, desapareceria para sempre da cena política, passando essa tarefa para Fernando Barroso, que acabara de chegar de Moçambique, onde vivera durante muitos anos. A partir de então Fernando Barroso ocupar-se-ia desse cargo, assim como da administração financeira das Fundações ligadas ao Partido, até ao IV Congresso em 1981. O secretário-geral tinha entretanto saído do Governo e ao ocupar-se do dia-a-dia do PS, compreendera a importância das finanças, que controlaria rigorosamente através do seu cunhado. Uma das medidas adoptadas nesta área seria a progressiva descapitalização da conta na Holanda, movimentada por José Neves e a abertura de uma conta pelo próprio secretário-geral no Bank fur Gemeinwirtschalf em Frankfurt. Esta conta a que Gunter Grunwald chamaria «contas especial do Mário» só seria encerrada anos mais tarde e, pelo que consegui apurar, movimentaria somas consideráveis. (…)
Naquele período, a resistência ao PCP representava um verdadeiro sorvedouro de dinheiro, que Mário Soares ia mandando entregar por intermédio dos seus colaboradores.

E bem melhor do que a minha memória, os meus registos mostram as seguintes entregas em dinheiro para acções de resistência ao PCP: a 23 de Setembro, 300 contos depositados na conta da Associação António Sérgio e, nesse mesmo dia, 1000 contos entregues a Gustavo Soromenho para o jornal «A Luta». No dia 27 de Setembro, 1000 contos entregues ao cunhado de Mário Soares, José Manuel Duarte. Depois, ao tesoureiro do PS entregaria 1000 contos a 30 de Setembro, 2000 contos a 28 de Outubro e 500 contos a 11 de Novembro. A 20 de Novembro, seriam entregues quinhentos mil escudos mais. No rescaldo do 25 de Novembro, certamente para pagar despesas pendentes, seriam entregues a 1 de Dezembro 1800 contos à Administração Financeira do PS e, a 4 de Dezembro, mais 500 contos ao tesoureiro Carlos Carvalho.
Evidentemente que não conheço a totalidade do conteúdo das caixas de biscoitos, nem os movimentos das contas de Frankfurt e da Holanda, nem, tão-pouco, outras verbas relacionadas com este período, oriundas dos americanos ou as que o ex-presidente Carlos Andres Perez disse ter entregue a Mário Soares. Consegui, contudo, apurar que antes da reunião de EStocolmo Rolf Theorin mandaria transferir para a conta na Holanda mais meio milhão de coroas suecas. Também o PSD da Dinamarca enviaria mais 304 690$00 em Março e 29 734 coroas em Setembro.


O antigo chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e secretário-geral do PS, Vítor Cunha Rego, tivera contacto anteriores ao 25 de Abril com o chefe da CIA em Lisboa, John Morgan. Após o assalto ao «República» e quando Carlucci adquirira a certeza de que Soares entrara no «bom caminho», seriam designados Cunha Rego e Bernardino Gomes para veicular os futuros contactos e o apoio da CIA ao PS.
Com o caso «República» ainda fresco e tendo em conta que aquela organização considerava prioritárias as acções na imprensa e em editoras, como o senador Edward Boland de Massachusset apuraria no final dos anos 70, foi decidido combater a predominância do PC nestes sectores. Assim nasceria a editora «Perspectivas Realidades», ao mesmo tempo que era adquirido o edifício onde iria funcionar a CEIG, Cooperativa de Edições e Impressão Gráfica, com a finalidade de imprimir o diário «A luta» em substituição do «República». O contacto americano era um «operacional» das chamadas «covert operations», ou operações clandestinas, da CIA, a que chamarei apenas KC. (…)
Em entrevista à TVI e a Miguel Sousa Tavares na SIC [1994], o Presidente da República [Mário Soares], para além de se colocar no papel de principal líder da resistência à tentativa comunista de 25 de Novembro, adiuantaria que, de facto, «conspirara» com Callaghan e os serviços secretos ingleses, embora negasse qualquer apoio dos norte-americanos. (…) Mas o general Ramalho Eanes, um pouco esquecido pelos media, viria a contestar o paperl de Mário Soasres no 25 de Novembro, afirmando poder «garantir que a versão dos mesmos apresentada pelo Dr. Mário Soares contém algumas inverdades». Chegaria mesmo a acusar o seu sucessor de pretender adulterar a história, de não ter lido os documentos oficiais sobre o 25 de Novembro e de ter tendência para valorizar os seus contactos internacionais. Mas, segundo refere, «a verdade é que os militares trabalharam essencialmente com matéria-prima nacional».


E esta hein? lindo não é? Escrito por quem conhecia o sistema por dentro......
Não preciso de dizer mais nada, termino com um ja se calculava que assim fosse, agora existe a certeza que afinal o era e não se sabe bem tudo......

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Lealdades Dividas: Para que serve uma g3? Deve ser para ser pacifista....

Pois bem, o titulo pode parecer que o autor poderia estar dividido entre "lealdades" de grupos, ou pessoas, mas isso no mundo próprio de quem recusa ceder hoje ou amanha numa questão que não é nada pessoal, mas sim colectiva não se confronta perante as duvidas mas sim as certezas.
O Portugal não se fez hoje, foi um longo processo de construção de História nacional, envolvendo vários processos, enumeras pessoas, com enormes avanços e recuos.
Mas uma coisa é certa, e disso o autor não tem a menor duvida, o período mais luminoso deste País aconteceu durante o período de 1974-1976, pois nem me refiro somente á questão social e cultural, económica e politica, pois esse período foi uma mudança de mentalidades, o inicio de um sonho novo, a tentativa derradeira de colocar Portugal no caminho certo, no rumo que teimava não aparecer, sair do obscurantismo, colocar definitivamente este país e o seu povo na órbita da dignidade, do progresso e do bem-estar.
Para isso enumeras pessoas lutaram, enumeras, não foi um processo que possa ser reclamado por este ou por aquele partido, por este ou aquele grupo, porque quem o realizou de facto foi o povo Portugûes, que determinou que esse seria o seu destino.
O povo determinou que o rumo fosse hoje, escolheu-o sentindo com o coração e com a razão.
Mas isso não implica que a escolha fosse certa, que a escolha fosse de facto a mais digna, porque essa escolha contemplou que um determinado numero de pessoas fizeram de um Estado a sua coutada, o seu terreno, onde a seu prazer e conforme os seus interesses (não os do povo) governam para si próprios e para seus amigos ou Patronos.
Essa escolha foi feita crucialmente não no dia 25 de Abril, não no dia do Golpe Palma Carlos, não no dia 28 de Setembro, não no dia 11 de Março, MAS NO DIA 25 DE NOVEMBRO.
Esse dia terrível e nefasto, em que puseram os progressistas na prateleira, e que marca definitivamente o dia em que o grande capital lentamente começa a chegar ao poder, destruindo as conquistas do PREC (ainda hoje sendo destruídas e discutidas em orçamento de estado).
Mas este artigo quer atingir alguém, alguém que á dias escreveu (Grande homem Salgueiro Maia, grande pacifista, liderou uma revolução)
Não vou me "cansar" a ensinar o "A,B,C,", mas para aqueles "comunistas" que apenas o dizem ser, porque de comunistas apenas têm a "ilusão de o serem" nunca o foram, nunca o serão, sendo que vou mais longe ainda, se algum dia o forem....... o P.C.P era um partido Capitalista, inimigo das classes trabalhadoras.
Mas alguém se diz Comunista, proferindo tamanha sentença por alguém como Salgueiro Maia?
Alguém em seu perfeito juízo haveria de homenagear alguém contra os seus "ditos sonhos e aspirações de um Portugal e seu povo melhores"?
Mas o que eu "amo" mais é como pode alguém dizer que ama o seu povo, gozando-o desta forma?
Chamo a isto demência! demência! demência! demência absoluta de quem apregoa aos sete ventos "socialismo" mas lutando com todos os dentes pelo capitalismo!
Aos senhores que se dizem "comunistas" votando em vários partidos, até em pseudo partidos da terra (ecologistas do psd) daqueles que amam o ambiente, queimando a camada de ozono diariamente, ou então a favor de aterros, devo dizer que votar no ps ou no psd conforme seus interesses pessoais, é de facto "comunismo exacerbado", mas la esta "demencial", pois quem é apologista de Salgueiros Maias, não lhe resta outra solução, que não seja a de se converter em utente da casa de saúde mais próxima do local da sua residência.
Mais ainda um comunista não se deixa impressionar por causas "ensinadas por papás riquinhos, admiradores do socialismo Etarra sem o saber", gudariaks????? Guerreiros? Obviamente que sim... Claramente que sim? Pergunto-me contudo, se realmente ficais impressionado com a causa Basca, quando esta se tornou apelativa? Lembrarme-ei que foi na "suite suvenir" de alguém que manifestamente é favorável á causa "tua recentemente adoptada de bloquismo", pois o deve ser de facto visto que afinal os gostos servem para todos os "dementes", afirmando que uma revolução se faz num estádio de futebol......
Mas sera que foi ai que morreu Carrera Blanco? Gudariak? Guerreiros como tu, foram apelidados mullah omar dos taliban, fomentados por Washington!
Ninguém quer socialistas de "mercados e de vaidades escondidas" ou por vontades circunstâncias.
Por existem aqueles que á 34 anos eram comunistas, continuam a ser.... NÃO VOTAM POR QUESTÕES PESSOAIS, POR INTERESSES, POR MOMENTOS, POR IRREVERÊNCIAS, POR ATITUDES, POR CONVENIÊNCIAS!!!! NÃO ORA HOJE PS, ORA AMANHA PSD, ORA ISTO, ORA AQUILO!
Conheço enumeras que votaram, votam, irão morrer a votar, não vivem de interesses.
Que adianta ter votado á 34 anos, e agora votar rosinha, ou laranjinha? Adianta para a sua carteira, não adianta para o povo.

Mas mais não digo, pois não vou perder tempo com "supostos amigos" que para mim estão enterrados e bem enterrados!!!!!! Com amigos destes, ninguém precisa de inimigos, mas também nunca te chamei camarada, pois camarada se chama a quem o merece, não se chama a quem se "quer insinuar"
Eis uma lição de Jornalismo para os "comunistas do partidinho da "terriola" parola e sobranceira!

Álvaro Cunhal, afinal apareces no facebook! Deves ter adorado essa Homenagem, junto daquele que tudo fez para destruir em que acreditavas! Perdoa-me se fui me fraco e tive ilusões.....

Agora leiam :Arquivo: Edição de 23-04-2008SociedadeJosé Niza conta que havia no local um equipamento de transmissões do Exército “Salgueiro Maia quis entregar cento e cinquenta G3 na sede do PS de Santarém”
Na véspera do 25 de Novembro de 1975, numa altura de grande instabilidade e com o Exército dividido, Salgueiro Maia disponibilizou-se para entregar armas no PS de Santarém. A história é contada pelo ex-dirigente socialista, José Niza.

Na véspera das operações militares de 25 de Novembro de 1975, o capitão Salgueiro Maia disponibilizou-se para entregar 150 espingardas G3 na sede do Partido Socialista de Santarém. As armas não chegaram às mãos dos civis porque o então dirigente do partido, José Niza, se recusou recebê-las. “ Ele quis-me despejar, lá na sede do PS, 150 G3 e eu não quis. Disse-lhe: Ó Salgueiro Maia, desculpe lá. O único tipo que sabe mexer nas G3 sou eu que estive em Angola. E não vejo aqui nenhum inimigo à vista. Portanto não me ponha cá essa coisa”, conta o conhecido médico, compositor e ex-deputado.
O ambiente que se vivia em Portugal era de grande instabilidade. Nas forças armadas havia várias facções. Os chamados gonçalvistas, afectos ao ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves, a corrente revolucionária, conotada com Otelo Saraiva de Carvalho, e o Grupo dos Nove, liderado por militares considerados moderados, entre os quais Melo Antunes e Vasco Lourenço. Na lista de unidades militares afectas ao Grupo dos Nove estava a Escola Prática de Cavalaria de Santarém de onde tinha partido a coluna militar que cercara o Quartel do Carmo no 25 de Abril. José Niza afirma que nunca participou em nenhuma reunião com militares mas confirma contactos com os moderados. “Não houve reuniões formais. Havia uns telefonemas. Havia contactos directos e indirectos”.
O ex-dirigente do PS confessa que só mais tarde percebeu para quem eram as G3 que ele recusara. “O Rodolfo Crespo (fundador do PS e seu dirigente nacional) telefonou-me a dizer que iriam aparecer lá na sede uns 150 tipos. Ex-comandos de Rio Maior, Torres Vedras, etc... Eu ouvi aquilo e pensei que ele estivesse a brincar. Que fosse uma invenção qualquer. Que alguém lhe tinha contado essa história. Na verdade não era. Nessa noite entre as duas e as três da manhã, eles começaram a aparecer”. Os indivíduos estiveram até ao nascer do dia. “Isto foi uns dias antes do 25 de Novembro. Foram embora porque já estavam fartos e não tinha acontecido nada”.
Para além do episódio das espingardas G3, José Niza conta que a sede do PS em Santarém era usada como ponto de apoio do Grupo dos Nove. “Tivemos lá montado um sistema de comunicações da tropa. Do exército. Alguém foi lá montá-lo porque não tinham confiança nas comunicações da Escola Prática. Aquilo era um sistema paralelo. Uma alternativa. Não sei se o chegaram a usar ou não”.
Salgueiro Maia não comandou apenas a coluna militar do 25 de Abril. No dia 25 de Novembro saiu com outra coluna militar em direcção a Lisboa. O objectivo era neutralizar o Regimento de Artilharia de Lisboa, o conhecido RALIS, quartel afecto à facção revolucionária das Forças Armadas. No livro “Abril nos Quartéis de Novembro” os autores, jornalistas Avelino Rodrigues, Cesário Borga e Mário Cardoso, alvitram que Salgueiro Maia teria um “pacto de sangue” com o comandante daquela unidade militar, o capitão Dinis de Almeida, segundo o qual não se atacariam mutuamente.
E escrevem que por causa disso a coluna de Santarém só chegou quando estava tudo resolvido. “No dia 26 (de Novembro de 1975) à tarde, entra em Lisboa uma força da Escola Prática de Cavalaria (…). Surpreendentemente, as tropas do capitão Maia, que em 25 de Abril de 1974 tinham demorado pouco mais de duas horas a chegar a Lisboa, levaram quase vinte e quatro horas a atingir a capital”.
José Niza diz que estava à porta do RALIS com Jaime Gama, Sotto Mayor Cardia e António Reis na altura em que a coluna de Santarém ali chegou. E que assistiu à saída dos soldados que foram desmobilizados. “Alguns vinham a chorar”. Sobre Salgueiro Maia, que só conheceu depois do 25 de Abril e que morava perto da sua casa em Santarém, diz: “Era muito determinado mas demasiado radical. Não era de meias tintas quando achava que tinha razão”. Mas elogia-lhe a coragem e a dignidade. “Foi muito injustiçado. Não se pode aceitar que uma pessoa daquelas, depois daquilo que fez, tivesse sido colocada, por exemplo, a comandar o Presídio Militar. Ou que o tivessem mandado para os Açores. Trataram-no muito mal. Mas ele nunca se lamentou. Foi uma pena ter morrido tão cedo”.


Tenho orgulho e vaidade em ter de facto defeitos mas até nisso não vivo á pendura como tu, porque se os tenho, afinal pago por eles, não vivo da sombra da Chulice, do interesse, da aparência, porque afinal eu é que pago, tu vivias á sombra do que eu paguei e outros pagavam.
E sim, apoiei o cangalheiro, mas lembra-te para se apoiar alguém no pcp tem que se ser militante, têm que se pagar quotas, e respeitar fielmente os estatutos, mas termino com a democracia é feita de maiorias, e eu minoria, sujeitei-me a esta, mas uma verdade é que o cangalheiro la não esta, mas conheço quem foi adversário do cangalheiro, e rodou em pouco tempo para "outros tachinhos", pois mesmo o cangalheiro seja uma "merda" o cangalheiro não se vendeu por pouco....... por uns Eurinhos......
Orgulhosamente Comunista!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!